sexta-feira, 18 de março de 2016

Do encontro Fogo e Água.

"Não quero amor com guerreiro pra o fogo não me queimar.
Quero amor com marinheiro que anda nas ondas do mar..."

Disse a menina com a espada na mão e os pés na areia, onde o mar batia.
Disse a menina de pés descalços marcados de tanto chão que pisou. Pedra, brasa, barro, água e flor.
Disse a menina da pele morena de tanto Sol que pegou, para tanto céu que se expôs.
Disse a menina entrando no mar pra refrescar o corpo que muito suou.
Disse a guerreira que se quer sabia esconder suas batalhas, as marcas nos pés, nas mãos e na alma. Tampouco podia fazê-lo.
Disse depois de muito andar, queimar e amar.
Disse a amante do fogo.
Disse.
E diria de novo.
A onda que bate forte e traz a espuma a seus pés fica num vai e vem que só lhe acalma pelo frescor que traz. As feridas já não ardem mais. E mesmo só conhecendo as batalhas que travava frente a si era ali frente ao mar que enfrentaria a maior de todas. Era ela,  o mar e o infinito. O mundo infinito. Mas, ela já não tinha medo, pois foram suas batalhas internas que a levaram e a prepararam para aquele momento. De tanto que enfrentou a si mesma, o mundo não a amedrontava mais, apenas o mar lhe era enigma. A fluidez, a sensibilidade ela pouco conhecera. Mas, ali se permitiu chorar. O infinito não era mais desconhecido, era tudo que morava ali dentro dela, só que fora. Era seu íntimo exposto, mas só ela que de tanto caminhar, de tanto ver e viver sabia naquele momento que o mundo todo e todos os seus infernos e paraísos eram ela também. Ela sabia que o fogo que lhe seduzia e queimava era o responsável por tantas batalhas vencidas. O poder de transmutar. Era isso que amava. Era nisso que confiava. Pois, sabia que se o mar e sua imensidão azul lhe afligisse, ela podia mudar de novo e de novo e de novo. Então entrou verdadeiramente no mar. E de tanto tempo afastada de sua parte mais fluida, mais passiva e pacífica foi engolida por ele. Sucumbiu, submergiu. Mas fora o seu velho amante Fogo, como num raio atingindo no centro do seu coração que a fez voltar a si, voltar a vida. E no despertar percebeu que nadar no mar e em si era outra benção de Deus. Fogo e Água não eram opostos, nunca foram. Agora ela sabia.

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