domingo, 1 de junho de 2014

Sobre- quase- ontem.

Você foi meu tiro no escuro.

Foi.
(ser no passado)

...

Ou nem foi.
Ou nem isso.

Não importa.
Não deve importar mais,
ainda que
me importe.

Meu tiro no escuro.
Meu.
Depois de tanto correr de qualquer pronome que prendesse você a mim,
me encontro possessiva nesse possessivo.
Que na verdade diz mais sobre mim, do que sobre você em relação a mim.
Você nunca foi meu em nada.
Mas acho que encontrei nossa exceção, a única forma em que você é "meu".
Ratifico:
Meu tiro no escuro.

Sem muita pretensão em ser, em nada.
Sem nenhum plano, nenhum segundo passo.
Nada.
Enquanto me dava conta da escuridão,
tive carinho recebido, sorrisos despertos e calor trocado.
Mas ainda era escuro, por mais aconchegante que fosse.

A escuridão se completa no inesperado, no meu receio de sempre.
Meu poeta mais recente na lista dos preferidos diria:
"quente demais para ser tão frio".
Quente demais para ser tão frio !
 
Completo:
E na tua mente claro de mais para o que é escuro.

E nesse escuro, com a finitude das coisas sinto molhar o chão.
Meu tiro no escuro, fora um tiro certeiro.
Fora um tiro no pé.


*Sobre meu poeta: de leão, de coração, e de sal, Marcus.

Um comentário:

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