quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Tempestade de pensamentos


          Eu gosto de tempestades e ventanias. Tenho medo do pós, do estrago, das pessoas, do que resta.Mas ao que resta eu rezo.E de resto eu me entrego. O brinquedo preferido da pracinha era o balanço, estar lá em cima pronta para despencar, e balançar e balançar...Eu estava sempre no controle e o vento cada vez mais forte. E fazia mais força e ia mais alto, mais forte e mais alto e mais vento. Rir daquela bagunça alastrada pelo vento, até o frio era feliz, eram indícios de que a menina ia gostar do que devasta. A decepção talvez seja o maior tombo, mas já me era sabido que nos enganamos o tempo todo para arriscarmos algo que te dá inúmeros indícios de que não vai dar certo. A gente paga pra ver, a vida é assim. A gente fica suscetível  a qualquer bobagem que nos diga para ficar, quando na verdade sabemos que de certo é a hora de partir, ou pior de nem começar. E ficamos. MAS ficamos. E assumimos o risco doentio de não ser feliz, ou pior de construir e alimentar sua própria decepção, sua própria infelicidade. Deixar minha racionalidade para arriscar o futuro, -não suspira, isso não é romântico é burrice. Não é medo do amor, nem dos relacionamentos, ou sei-lá-do-que, é apenas previsibilidade e sim as pessoas são previsíveis, não se engane. Mas nós somos conquistados por essa ideia que nos venderam de "destino", de "instante", de "romance"... E tantas outras tolices sobre o amor que nos foram vendidas... Sim vendidas.Por que nesse sistema queridos, o romance dá muito dinheiro, ouso afirma até que existe uma "indústria do amor", pronta para te vender falsas ideias, te alimentar com essas ilusões, te vendem livros, filmes, roupas, adereços, restaurantes, mimos, te mostram tudo isso, enchem sua cabecinha de ideias e esperam você cair na realidade e descobrir que o amor não é nada disso, e que ninguém sabe o que é. Mas calma que eles não são assim tão cruéis até por que se fossem não seriam tão vitoriosos nessa arte de ludibriar, eles te vendem o problema, a angústia, a carência, mas é claro que eles te vendem a solução, o  prazer da liberdade, o novo amor, a nova redenção. E eles vivem disso, de inventar problemas e soluções pois assim eles ganham dos dois jeitos. E você?
               Pois é...Comecei falando das ventanias e tempestades... Conheci o pior sentimento que se poderia sentir por alguém, por que pela primeira vez conheci a decepção. E a gente sabe que por mais que achemos que saibamos alguma coisa a gente sempre ouve as vozes internas erradas, os conselhos errados e por mais que sejamos prudentes somo humanos o suficientes para sermos tolos. E, hoje, eu entendo que viver é isso: assumir sua tolice. Deixa devastar, por mais que doa, por mais que você diferente de mim não goste do vento forte nem de tempestades, você precisa deixar as coisas partirem. Depois que as coisas foram feitas é deixar a vida se encarregar do resto! Todos nós precisamos aprender de verdade com as nossas experiências e com a dos outros, as pessoas precisam parar de inventar que "agora dessa vez vai dar certo", cara não vai. E se der certo vai dar de qualquer jeito então relaxa, vai viver sua vida de verdade construir sua independência emocional, financeira para não se sentir menor sem ter alguém, para não ficar tão vulnerável a essa indústria dos apaixonados por dinheiro, que vai fazer você comprar as ilusões e os antídotos contra as desilusões também. Busque sua autonomia de verdade, e não se iluda nossa época não é mais propícia a pessoas autônomas e independentes, mas está muito mais propicia a pessoas que estão iludidas em serem assim. Mas não desanime se concentra no teu melhor, ouça quem realmente te ama e sabe que quer seu bem, e busque manter-se limpo. Limpo de rancores, limpo de ideias levianas, limpo de coração, limpo de mente, limpo de espírito. Limpo para si, para ser capaz de viver uma vida plena, que inclui saber aceitar que haverá diversos altos e baixos e toda pitada de loucura plausível entre nós mortais. Por que somos assim humanos tolos, mas não precisamos nem devemos ser capacho de ninguém, nem de falso amor, nem de indústria, nem de bobagem alguma. De gente leviana e interesseira corre, mas corre mesmo. Por que o perigo é maior do que se pensa, é tão grande que muitos deles não tem a mínima noção de que são assim e vestem mesmo a carapuça do bonzinho e do sincero. Coitados, foram comprados por essa indústria também. Então não se engane, a cada nascer do dia se encare no espelho e pense em que tipo de pessoa você quer ser, pense na essência, no interior, e observe o que te impede de ser o que se quer e principalmente de ser o melhor de si. E busque a si mesmo todos os dias, ainda que você fuja, ainda que você esqueça, ainda que o furacão apareça. Busque-se por que no fim das contas você só terá a você mesmo antes de dormir, você só terá você para responder pela sua consciência, pelos sonhos frustrados, pelos erros e acertos. Cuide-se, por que é melhor ter uma boa relação com quem realmente você passará a vida inteira junto. Ou procure se recuperar o mais rápido possível das tempestades, ou faça como eu: busque aproveitar cada momento da devastação por que reconstruir-se é bem melhor!


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