segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Democracia forjada


      O que eu mais detesto na nossa democracia é essa bendita liberdade que inventaram para nós. Liberdade vigiada, dissimulada, hipócrita. Democracia hipócrita. As vitrines nos mostram um coisa: nossa liberdade de escolha nos leva para o mesmo lugar, para o mesmo padrão, para a mesma estética, para aquilo que eles escolheram como o ideal. Tantas lojas com o mesmo estilo, com a mesma cara. Inventaram que a diferença está nos detalhes para disfarçarem nossa tremenda igualdade, igualdade não mesmidade. Somos falsamente os mesmos, temos gostos diferentes, vivências diferentes, temos culturas diferentes, temos visões de mundo diferentes, temos um reconhecimento social diferente (inclusive por aqueles que elegeram o tal padrão). E em meio a tanta diferença quiseram que buscássemos a “igualdade”, essa “igualdade” também forjada para disfarçar toda injustiça causada pelas nossas diferenças reais, mas para amenizarem o estrago que eles mesmos causam nos dão como paliativo o tal “poder de escolha”. Não sei como as pessoas não acham ridículo. Por que é sim, bem ridículo de tão cara-de-pau. Se buscamos um pouco mais de nós mesmos em algo, se optamos por seguir nossos princípios até o fim, se levamos nossos valores diferentes daqueles pregados de maneira interesseira a todos os lugares e situações somos radicais. Por que o ponderado é o ideal. Mas esse ideal me parece tão leviano, flexível o suficiente para se deixar levar pelas circunstâncias sem perceber que pode inclusive estar indo contra o que acredita, ao que defende, ir contra a si mesmo. Nossa liberdade serve a penas para escolheremos aquilo melhor lhes convém, pois são eles que nos dão as opções. Mas se optarmos por algo realmente melhor para nós, para o coletivo somos estranhos, extremistas, sonhadores, inocentes e por aí vai...
         Essa é nossa democracia inventada, forjada para cacete que nos armou direitinho nossa arapuca para acreditarmos nessa tal “liberdade”. Nos venderam valores e princípios que servem exatamente para eles, para eles se alimentarem do sistema através de nós. E eu não aguento mais isso. Enquanto eu puder, quanto mais eu souber eu vou fugir disso.Fugir de tudo para buscar a mim mesmo, meus valores, minhas marcas, meu rosto, minha crença,minha essência.E ter o direito de levá-las aonde eu quiser, sem ofender a liberdade alheia claro. Privado e público definidos, mas eu serei por inteira. Pois esse negócio de ser neutro é para quem não sabe o que é de verdade e ainda dá fora para a maioria opressora em qualquer nível/situação. Quero minha liberdade respeitada culturalmente, socialmente, politicamente. Chega de hipocrisia e falso moralismo! Democracia pra quem?
(10/08/2013 ; 00h20)

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