sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Quando tudo dói.

  "Tem dois tipos de saudades que me matam: saudade do que não posso mais viver e saudade do que eu nunca vivi."  
                                                                                                          Bárbara O. Dos Santos

  As pessoas que partiram, a vida que mudou o rumo, pessoas que ficaram pelo caminho, tempos que não voltam mais.Tudo aquilo que de alguma forma mudou.Aquilo que era bom, hoje, deixa essa marca doída, mas saudades, como bem sabemos, é exatamente isso: o gosto amargo do que um dia foi doce- perceba que eu  escrevi"foi" .Estranho mesmo é sentir saudade do que nunca viveu, sentir falta de uma história que não era a sua, um personagem que não era você.Sabe aquela época em que sexo não era o principal do relacionamento, que as pessoas não se sentiam pressionadas ou envergonhadas por serem virgens, que família não era apenas lembrada na hora de falar mal ou pedir alguma coisa, que a sociedade era menos hipócrita em assumir seus comodismos, preconceitos, vaidades, defeitos,diferenças, virtudes, pois é: eu sinto falta.Não, eu não sou o tipo de pessoa que acha que antigamente que era bom,que as crianças eram mais felizes, não era tanta pouca vergonha e blá blá blá.Não, não é isso.Eu enxergo as qualidades e defeitos da minha época e das épocas passadas também, umas vezes com mais esperanças quanto ao futuro enquanto outras com mais pessimismo, mas não importa.O importante aqui é que eu sinto saudades.Não quero me sentir deslocada por querer fazer as coisas certas, por pensar no que meus pais pensariam sobre algo que fiz ou que venha a fazer, por me importar em fazer o que acho realmente certo, por não fazer as coisas simplesmente por fazer.E é nesses momentos que percebo que a sensação de deslocamento gera essa saudade do que eu nunca vivi.E o que eu nunca tinha entendido, passo a entender.Completo dizendo que não é só a falta de algo que traz essa pequena dor, a história que contamos para nós mesmos quando a vida anda parada e queremos mais emoção, quando essa não se concretiza, e a vida escreve outra hitória menos emocionante, também.E então dói de novo, dessa vez uma dor inventada, imaginada, mas que ainda sim de uma certa forma doi, é a tal saudade de novo batendo na porta do nosso coração.Saudade de algo que a imaginação criou e a realidade cruelmente a desapontou.
  Essas me matam pois é o tipo da coisa que não se muda, pois está presa a um passado irretomável.É o tipo da dor que para parar de doer deve-se viver.Vivê-la primeiramente, senti-la até transbordar pelos olhos, até cansar e perceber que a única saída é viver, e, agora sim, viver sua vida.Afinal, é quando a mente pára que nos concentramos mais naquilo que falta, devo lhe dizer: nossa essência dramática e sofrida pede uma boa dose de caos para acharmos que nossa vida vale a pena.Martha Medeiros tem uma frase que eu gosto muito e tem tudo a ver com saudade:" O tempo não cura tudo, aliás o tempo não cura nada ele apena stira o incurável do centro das atenções."Mais ou menos isso. Acho uma tremenda verdade jogada na cara, mas que não se entende de uma hora para outra.Quanto a cura, eu não tenho respostas!Talvez um ou outro conselho, e só.Mas falar de algo supostamente incurável e imensurável é deixar um buraco em aberto.Mas para minimizar os possíveis efeitos que esse assunto causa compartilharei algo muito particular com vocês: 
 Sabe meu maior conforto?É o presente, que nasce em todas as manhãs nos dando uma nova oportunidade de fazer as coisas de um jeito melhor, cultivando o bem para merecer colher bons frutos.E o futuro, que juntamente com as atitudes do meu presente, espero colhê-lo com imensa alegria.Assim não apagarei as marcas do passado, até por que (repito) o passado que deixa saudades é aquele que foi bom.E esse não merece ser esquecido, não importa o motivo pelo qual o  trancou lá na caixa intocável das lembranças.Mas sim, cultivarei alegrias para fazer minha vida ter valido a pena e honrar mais ainda tudo aquilo que se viveu e que deixou essa dor em forma de saudade.Talvez Cazuza já soubesse pois foi ele quem disse que  toda dor no fundo esconde uma pontinha de prazer.

2 comentários:

  1. Muito bom o texto moça, super inspirado, te achei lá no orkut do Bloinques. Essa tal da saudade do que não se viveu é realmente uma grande frustração. Ela aparece bastante em também.

    Ah, bju!

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  2. VoCê escreve muito bem, a pior coisa do mundo e um coração ferido e isso so o trmpo cura!
    http://alternativateen.blogspot.com/

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