quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Depois de partir.

  _E quando eu chegar em casa, eles estarão orgulhosos de mim.-disse susurrando, o que na verdade era ela pensando alto outra vez.
  Foi exatamente assim que sua tarde terminou: cheia de esperanças.A família não entendia, ou melhor não aceitava sua partida.Por mais que explicasse parecia falar outra lingua que não a deles, e isso é algo quase irreparável.Talvez quando trouxer os resultados, eles entendam melhor por que partiu, por que precisava fazer aquilo longe de lá.Em algum lugar ouvira que se a vida lhe fecha uma porta, ela abre uma janela se não fizer faça você mesmo, mas sabe?Só hoje fez sentido.Mal chegara na cidade nova e o que parecia lhe trazer paz, pois afinal era sua vontade, lhe enchia de uma esperança duvidosa.Sabe quando você acredita em si mesmo, na vida, e quem sabe na sorte mas morre de medo de não ser o suficiente?Era exatamente assim que se sentia.Quantas pessoas saem de suas cidades para estudar?Por que com ela havia de ser tão conturbado?Tudo bem, seus pais não esperavam que houvesse se inscrito no vestibular de outra cidade, mas é tão difícil assim de aceitar?Tá...tá bom...Não era um vestibular comum era o processo seletivo para ingressar no melhor curso de teatro, ao menos era o melhor aos olhos dela.Entende o que significa entrar no curso mais completo?Sabe o que significa aprender todo tipo de arte cênica, incluindo a circense que tanto a encanta?
 Ela sabia.Quando desceu na rodoviária da nova cidade seus olhos brilhavam de dor e alegria, sabia que não era o sonho dos pais, sabia que o julgamento de uma menina jovem que sai embusca de um sonho, e quando o sonho envolve arte no mais puro sentido é, no mínimo,confuso e inseguro.Ela queria levar essa arte para o mundo, tudo que ela sentia, tudo aquilo que sabia que podia transformar, ou simplesmente tentar tocar o público.Ela não queria muito, ela queria a arte, nua e crua.Queria viver, respirar a arte e dormir nos braços do palco.Eles não entendiam esse chamado, essa coisa de sentir a arte, de querer simplesmente se doar, sem pensar no retorno.Mas ela tinha um plano, um sonho, e a cada segundo que pensava nas razões pelas quais ela saiu de casa, ela se sentia mais forte para realizar seu sonho.E é essa força que a conduzirá para o caminho certo e se for preciso abrirá a tal janela.Ela sabe que não lhe falta paixão, garra e força de vontade para chegar lá.E quando pensa que vai sim conseguir levar o espetáculo, de sua autoria, para todos os públicos, principalmente aos mais pobres.Teatro de rua, era essa sua maior vontade e objetivo.Quando pensa nisso tudo, ela sabe que vão entender, ou ao menos respeitar.Afinal quem escreve "Sonho: sem raça, sem classe, sem fronteiras" não deve ser alguém a se abater.
  Pára, repensa em tudo isso, respira fundo e aliviada e repete baixinho só parar o seu coração ouvir, agora cheia de entusiasimo e certeza:
 _E quando eu chegar em casa, eles estarão orgulhosos de mim.

3 comentários:

  1. Gostei muito do texto, prendeu minha atenção do inicio ao fim *-*
    Bjus ;*

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  2. é de verdade? '_'

    se for, essa menina teve a coragem que me faltou.

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  3. oii
    tava vendo outros Blogs e encontrei o seu
    gostei muito daqui
    o conteúdo é ótimo
    estou te seguindo
    me visita e segue se gostar?!

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    beijos

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