domingo, 24 de janeiro de 2010

Ventando palavras, assoprando versos, chovendo poesias.



-->O ato de escrever não vem só da idéia, nem da inspiração, nem da necessidade.É algo tão maior que quando paro pra ver eu já escrevi, já desabafei, já chorei ou já sorri .E eu percebi isso quando tinha uns 13/14 anos e estava estudando para matemática e quanto mais eu estudava mais o tempo se arrastava.Quando fui me dar conta eu tinha escrito na folha de exercícios uma letra de música, já que minutos antes de ir estudar eu cantarolava Eu e você-Offline,o ritmo da letra que eu tinha escrito começava tão parecido e foi tão espontâneo que eu nem acreditei que era eu!Depois desse dia eu não consegui mais saber o que era eu, e o que eram minhas palavras.E quanto mais eu tentava fugir, pensar em outra coisa mais as letrinhas me seguiam seja em plena aula de história ou química.Não importava hora nem lugar elas simplesmente vinham.E enquanto eu não as colocasse num papel elas não paravam de vir na minha cabeça e eu me sentia uma mãe que não dá atenção a suas crias.E toda vez que eu paro pra pensar na força das palavras é algo tão surreal!Pessoas que muitas vezes nem tem alto nível de escolaridade mas tem a poesia como companheira fiel.Essa autonomia tem um poder tão grande que mesmo desnorteada eu sabia que elas tinham uma marca minha.Marca essa que antes eu nunca tinha visto, mas as palavras elas sabiam, sempre souberam e nunca me contaram como até hoje não sei, só sei que elas sabem.Aliás são tão espertas que esperaram um certo tempo de maturidade minha para aparecerem, de forma informal e incisiva!E isso delas saberem essa marca, essa essência, só fica nítido por que apesar de serem tão diferentes, aparecerem em situações diferentes e por razões diferentes elas tem algo que as unem, algo que as fazem ser eu.Ainda que eu nunca tivesse percebido antes!Confesso que já tive medo do que elas são capazes de fazer sobre mim, afinal tenho tanta atração por escrever, cantar , atuar, tudo referente a qualquer forma de arte!E justamente para mim a arte é a linguagem universal.Isso só me mostra que minha autoria quase não importa e elas saem por ai sem destino nem direção,e já foi tá feito.E ai o que faço agora com essas tantas palavras que querem sair por ai encantar ou desencantar pessoas?A crise de identidade começa quando o poder sobre mim termina e se torna simplesmente palavras!Sinceramente não sei quem sou mas consigo passar horas escrevendo sobre mim,e no final desses tantos minutos e ainda me perguntaria: quem sou,sou eu ou essas palavras querendo sair por ai?
Por mim mesma!

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"Tenho medo de escrever.É tão perigoso.Quem tentou, sabe.Perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona,está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar.Para escrever tenho que me colocar no vazio.Nesse vazio terrivelmente perigoso:dele arranco sangue.Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavra que digo escondem outras - quais? talvez as diga.Escrever é uma pedra lançada no poço fundo."
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"As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito."
Ambos por Clarice Lispector.


Viu só!?Clarice me entenderia!; )

=)

Para: Bloínquês.
Tema:As palavras podem sair por aí,sem detino nem direção.

E a sorte está lançada again.(yn)

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