sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Refém do silêncio.



Ele a perguntou se ela sabia quanto valia seu silêncio.Ela porém não disse nada.Mas pensava consigo mesma, na verdade ela sabia sim.Sabia que seu silêncio podia custar a tranquilidade de sua mãe querendo saber o que está acontecendo,podia custar o conforto do seu pai de se sentir um pai em horário integral e não períodos curtos e superficiais.Sabia que podia custar a aproximação da família, podia custar a confiança do namorado.Ela sabia de tudo isso sim.Mas mesmo assim mantia o silêncio.Não por que não quisesse falar, mas talvez por que não conseguia sair daquele mundo intocável.Não queria se mostrar por saber que é mais boba do que pensam, mais estranha do que julgam e até menos interessante do que acham, pior poucos acham.E isso tudo aumentava quando a alma queria sair ,expandir florescer junta de todos.E também quando via nos olhos de suas riquezas a tristeza e agonia de quererem estar perto sem poder estar.Ela só queria que as pessoas fossem percebendo seus mistérios pelo ar,no vento que batesse, no sorriso contido,nas conversas pela metade.Na realidade não queria seus mistérios resolvidos e amostra, isso seria se expor de mais.Ela gostava de ser incógnita, mas odiava ser um ponto de interrogação no meio de uma página em branco, e era assim que se sentia.Ela sabia q era o puro contraste do extrovertido com o introvertido.E enquanto escreve percebe que sabe muito mais do que diz saber.Sabe também que quanto mais fala, menos se sente a vontade para falar, mas mesmo repugnando se sente tão melhor com isso.Adora uma conversa mas sempre ficava horas no seu silêncio, silêncio esse que ninguém podia participar nem chegar perto, se esse fora quebrado era motivo suficiente para se sentir interrompida e exposta, afinal não podiam perceber jamais que estava ali sozinha e calada, porque queria e muitos menos perceberem que não queria que a vissem assim.E os anos foram passando e as horas do silêncio tornaram-se minutos, tornaram-se amigos virtuais,afinal é mais fácil contar para quem não teremos que encarar todos os dias com olhar de reprovação ou simplesmente ter que encarar o fato de saberem quem você é,e quão estúpido se é pra cometer erros tão imbecis.Essas horas que tornaram minutos, e amigos virtuais, tornaram-se também dedicação incansável a escrita ao blog, ao post.Tonaram-se brigas com o namorado por parecer tão distante quando o que mais queria era estar ali presente mais do que carne,muito mais do que ele pudesse entender na hora,mas ela como ele também só queria estar ali.Daí vem a mentira.Mentira que encobre a vergonha de si mesma,mentir é feio ela sabe.Evita ao máximo, e pode-se dizer que ainda não sabe mentir não que ela treine mas quando mente sempre volta atrás.Ou procura esquecer pra não ter que lembrar do que queria ter esquecido e nem lembrar que pra tentar esquecer se fez mentirosa.Enfim, mentiu.Por uma coisa boba, pra ela.Mas mentiu, e o namorado não gostou, com razão,e depois do desentendimento se fez o silêncio de novo.Mas esse,esse silêncio não era mais dela.Esse era aquele que ela jamais pensara em experimentar.Era o silêncio que dava liberdade pra ele pensar o que quiser, e a trancava no mundo dela, só que agora se desmanchando afinal teria ela virado escrava da mentira?E isso a incomodava pois não queria isso, nunca quis e sabia que isso era praticamente mortal para seu amor.Mas ele sabia que essa mania de silêncio acabaria assim estragando tudo, mas mesmo assim a prometera ficar com ela até o fim.E isso a acalmava, pois já era ruim o bastante ela saber que é do tipo de gente que se esconde e se prende,e acaba afastando todos que querem seu bem,já era ruim de mais ter que aceitar que esse esconderijo pra se manter em pé teria que ser mantido a base de mentiras, já era ruim de mais saber que não merecia esse amor essa lealdade, com tudo isso e ainda ter que se ver com tanta realidade e se ver sozinha sem quem prometeu-lhe dedicação e ajuda até o fim, seria o fim pra ela.E o fim ela não queria, talvez o fim dela poderia até acontecer mas não o fim dos dois,o fim do 'nós' isso era inaceitável.Mas só de pensar que suas feridas seriam expostas até pensava em desistir.Mas ela sabia que o sentimento e o respeito que guardava no peito, sobre todos que amava todos que queriam seu bem e cuidavam dela, era maior e forte o suficiente pra admitir que era humana limitada apesar de esquecer seus limites, era forte pra ser humana de verdade e ter seus sonhos brilhando nos olhos, o infinito nas mãos, os verdadeiros no peito, a fé na alma, e na cabeça o respeito que se deve a si mesma e o orgulho de ser tão caleidoscópia que brilha de diversas formas e se apaga de diversas formas também.Mas o apagar era questão de tempo para descobrir como se desfaz.E aí era só sorrir para aqueles que tem a verdade dela nos olhos e no sorriso,aí era só sentir que apesar de muitas vezes estar errada e receber um olhar de reprovação terá sempre respeito e admiração de muitos.Aí ela se lembraria que a humana limitada, não tinha mas o limite do silêncio e que queria que os caminhos para seu coração e mente descobertos mas não apenas da sua própria boca mas sim a partir da sensibilidade de quem a ama e quer conhecê-la de verdade.Acho que esse era o problema, era se mostrar pra quem não entenderia e não perceberia o que ela de verdade é.E só seria descoberta por quem entrasse em seu silêncio sem quebrá-lo, mas que com a música e a poesia ativassem seu mundo de volta para os mortais.Então deixaria de ser interrogação para se tornar reticências,afinal quem se desfaz de um silêncio como esse sabe virar luz e som, tendo sempre uma história a mais a contar,um segredo a desvendar ou um sonho a seguir.

2 comentários:

  1. Muito grande, deu preguicinha de ler.

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  2. "Acho que esse era o problema, era se mostrar pra quem não entenderiam e não pereceberiam o que ela de veradade é."

    mas a gente só sabe tentando, arriscando...por mais que encontremos pessoas que nao entendam um dia há de se achar aquele que compreenda sem precisar nada dizer!
    ;)


    beijos

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