sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

De luta e vitórias: 2017 já chegou.

Ao pensar na vida eu só conheço um caminho: vencer. E não é conversa motivacional de pessoa competitiva, não. Esse texto veio da digestão de muitas questões, muitos anseios e muitos desenganos que 2016 me trouxe. Mas, dentre tantos altos e baixos a gente precisa se apegar as nossas poucas certezas. De dentro do furacão, que eu amo diga-se de passagem, instintivamente procuramos o que consideramos mais forte para nos agarrarmos. São dois movimentos: o de buscar internamente aquela certeza que te passa fortaleza e segurança e se agarrar a ela. Depois de vivê-los, e ainda estar vivendo, eu consegui concatenar algumas ideias.
Às vezes o momento de maior vontade de desistir, ou de buscar outros rumos é na verdade a oportunidade que sempre se quis parar fazer diferente. Diferente no mesmo lugar, mas olhando o lugar e as possibilidades de maneira diferente. Quando se tem um desejo de mudança seja lá sobre o que for precisamos primeiramente sermos essa mudança, não somente para começarmos a mudar o mundo externo a partir do nosso interno como se ensina nas tradições orientais, mas também para nos fazer viver aquilo que acreditamos. Nossos sonhos são feitos de vida, somente vivendo eles dia após dia, nas miudezas e conquistas cotidianas que saberemos se eles nos levarão aonde achávamos que nos levariam ou se são apenas peças que nossa mente e os falsos desejos nos pregam. 
Um andorinha só não faz verão, mas pode com sua atitude e principalmente com seu desejo real de mudança  inspirar e convocar os demais para fazerem esse verão dar certo. Quando digo que só conheço o caminho da vitória é justamente por que se eu acredito que algo precisa mudar ou acontecer para ser melhorar eu só vou parar quando eu vir as coisas se transformando. Acredito que precisamos aprender a sonhar junto! Nós enquanto humanidade, enquanto componentes do planeta Terra precisamos reaprender a partilhar tudo, a dividir a água, o pão, as terras e os sonhos. 
Encontrar força no outro para seu sonho continuar crescendo e ir se materializando é uma forma de não se frustrar sozinho, por mais que nunca se esteja completamente sozinho. Quero dizer, que às vezes perdemos forças por falta de companhia. Às vezes estamos em grupo, seja em família, em casal, ou em qualquer outra relação, e estamos tanto tempo juntos, presos num cotidiano que parece aprisionar os sonhos e só nos lembra o quanto temos de dar conta de todas as falhas que foram sendo criadas no caminho. Quando na verdade, só precisávamos sentar juntos como uma família que busca compreender aquilo que os une e, então, começar a conversar como pessoas que se querem bem e querem o bem da unidade. Sem farsas e apesar das dores vividas ao longo do tempo de convivência.   A companhia para se sonhar junto e fazer o sonho tornar-se realidade precisa ser honesta, de coração para coração. E todo cuidado é pouco quando se fala em partilhar o que há de mais íntimo em nós, buscar alguém para construir um sonho é buscar pelo brilho no olhar quando falam sobre os princípios  os quais você acredita. Se reconhece o outro pelos olhos que brilham, pelo coração que fala e pelas mãos que agem. Dividir sonhos não é para sonhadores de travesseiro é para os corações inquietos. Pois, a inquietude tem em si movimento para mudar o mundo, transformar a si mesmo e realizar sonhos.
Se os sonhos, como tudo que é vivo no mundo, se alimenta de vida, quanto mais sonhadores você encontrar para compartilhar, acreditar e desejar realizar o sonho, mais ele se alimenta e se fortalece. Mas, é claro que a força não parte dele em si, mas sim de quem acredita e está disposto a vivê-lo, ou seja, vem de todos nós juntos. Contudo, essa não é, ainda, uma convocação universal para a salvação do mundo, mas uma convocação para a unidade em prol de um bem maior. 
Se a força vem das pessoas, daquelas que desejam mudança, daquelas que têm seus sonhos, é indispensável que nessa vida se tenha coragem! Há que se perguntar: o que eu estou fazendo aqui aonde estou, aqui nos lugares onde frequento e estabeleci relações humanas diversas de apego/amarosidade/trabalho. Há que se questionar por que eu ajo da maneira com a qual eu ajo. E há que se questionar também o que eu espero das pessoas e do mundo. E claro, o que eu tenho feito para o mundo ser como eu espero e o que tenho feito para as pessoas às quais gero expectativa possam se aproximar e se sentir bem perto de mim. Para então, deixarmos o coração agir.
Quando o tempo parece ser de desmoronamentos a coragem fala mais alto, tanto para quem fica para reconstruir o que sobrou, tanto para quem vai construir em outro lugar. De cada passo dado não se volta atrás, o que se pode fazer é buscar um novo passo que possa levar a um outro rumo, mas para trás não se anda, assim como não se molha no mesmo rio duas vezes. O sentido da vida é pra frente, a cada segundo o passado fica para trás e nos coloca inevitavelmente a frente. Nossas células estão num ciclo constante de vida e morte assim como todo os seres vivente na Terra, meu corpo não é o mesmo de alguns anos atrás, e eu nem estou falando metaforicamente. Como então podemos imaginar repetições de erros ou acertos? Se concentrar no presente e nas pessoas que caminham ao seu lado é o que nos dá a chance de conquistarmos algo. As coisas não surgem do nada, a gente precisa sempre partir do que se tem, seja para reconstruir a partir do que sobrou ou para construir em outro lugar. A coragem está na atitude de enfrentar suas decisões e olhar seus companheiros nos olhos para saberem para aonde podem e querem ir juntos.
Não é tempo de conversa de canto e olhares fugidos, precisamos das palavras às claras sem sombras, sem medos e olhares vivos pulsando vida e Verdade. "A verdade pode aliviar o presente, mas compromete o futuro" disse algum pensador na internet e é verdade. Quem pensa no futuro e quer construir algo duradouro tem de ser amigo e amante da verdade, ela ilumina o escuro para os passos serem dados com mais clareza e aconchego, afinal a Verdade é como a luz que ilumina e aquece. Ou aprendemos a unir os sonhos e a sonhar junto, ou perdemos tudo. Cada andorinha puxando o verão pro seu lado, não há sol que aguente.
Algumas teimosias são para serem respeitadas, a fé de que as coisas podem ser melhores é uma delas. E enquanto há fé e desejo não há por que parar. Quanto a isso, tenho um teimoso inspirador que canta que "disseram que vença o melhor, boa frase me identifiquei". Precisamos ser melhores, ter coragem e acreditar que tem gente por aí sonhando o mesmo sonhos, querendo as mesmas mudanças e podem nem estar tão longe assim. Esse ano veio para abrir os olhos, os ouvidos e inflamar o coração: pra frente que se anda. E quando se anda junto, vale por dois. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Os olhos que me olham


Os olhos mais lindos que já me olharam são meus.
Não por que me pertencem,
mas por que eu pertenço a eles.

Os olhos que me olham tem luz, tem vida, tem amor.
São lindos, sim.
Mostram o que há de mais bonito da alma que o dá cor.

Os olhos que me olham traz paz, traz mar, traz lar.
Castanho claro, da cor das ondas.
Castanho claro, com a força do sol.

Os olhos que me olham me navegam e iluminam.
Aquecem solarmente,
e me embalam em maresia.

Os olhos que me olham são coroados de luz incandescente,
mas são protegidos pelo manto azul das águas salgadas.
me acolhe no peito, me aconchega o coração.

Os olhos que me olham também me cuidam, também me rezam,
também me encorajam.
Até me vêem, bem aqui dentro onde nem é tão iluminado assim para se ver.

Os olhos que me olham me ajudam a me ver melhor.
Vêem a parte mais bonita,
e refletem a mais feia para que eu possa sempre me ver melhor.

Os olhos que me olham sorriem e choram.
Que possam me olhar sempre, tanto quanto eu os olho.
Como são lindos os olhos que me olham.