quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Quem tem medo da Verdade?

Eu olho ao meu redor e tem gente que pensa ser a verdade encarnada. Vejo egos doídos querendo se manifestar de um jeito ou de outro, daí jogam suas "verdades" em cima dos outros que muita das vezes não queriam nem saber, ou até mesmo já sabiam mas enxergam de um outro jeito. Mas, são tantos rostos, tantos sentimentos e pensamentos que circulam e brotam do mais íntimo do nosso e ser e das partes mais expostas também. Junto a esses rostos, são tantas experiências vividas nessa vida e quem, crê,  dirá que em outras vidas também. Com tantos aspectos a conhecer, como posso afirmar "saber a verdade"? Quem sabe "a verdade"? Às vezes essa pergunta é respondida em situações palpáveis e concretas como ver alguém bebendo água e saber que a água foi bebida por tal pessoa. Mas, nem sempre é assim.
Arrisco dizer que a realidade que vivemos é minimamente feita dessas "situações palpáveis", a maior parte dela é feita das situações mais sutis, subjetivas e que infelizmente não participamos de sua criação ao menos não temos essas consciência agora. Já chegamos ao mundo com uma história social, cultural, econômica pré estabelecida, ainda quem é constante criação (que tem parecido mais um "fazer mais do mesmo", mas isso e outra história). O que quero ressaltar é como já chegamos num mundo de histórias vividas e viventes numa realidade paralela ou entrelaçada a nossa.  
O contexto familiar, por exemplo, é algo extremamente difícil de se avaliar. Como posso saber da relação da minha mãe com meu avô, se eu mesma com essa consciência que tenho agora não estava lá desde o início para ver e acompanhar a relação deles? E mesmo, sem poder afirmar, essa relação reflete na minha relação familiar hoje, não somente com meu avô, mas com todo o resto. Pois a memória que se constrói de uma vida, seja individual ou de um grupo, é feita dessas relações. Nossa memória é feita das relações que vivemos, e das que ouvimos terem sido vividas. E em algum momento de nossas vidas equivocadamente colocamos essas memórias como a própria Verdade. E nós não estávamos lá para saber grande parte do que aconteceu e gerou tudo que acontece agora.
O que quero dizer com tudo isso é: Como saber a Verdade de "um fato" se ele tem tantas pessoas e relações envolvidas que não presenciamos? E digo mais, há tanto na história de vida das pessoas mais íntimas nossas que não sabemos, como podemos afirmar algo sobre aqueles que conhecemos a alguns anos? Com quem tínhamos intimidade e confiança frágeis? 
Eu sinceramente me pergunto: que verdade é essa jogada aos quatro ventos sem cuidado consigo nem com o outro? Para mim, a Verdade tem força e poder. Mas, por ser tão singular é tão difícil de ser verdadeiramente acessada e conhecida. O que ouço, vejo, sonho, são fragmentos de histórias, de experiências, de vida. Acredito até que possam conter a Verdade, mas eu não tenho tamanha lucidez para reconhecê-la em sua plenitude, posso apenas ter um contato singular com ela. A verdade da atualidade me parece um tanto quanto frágil e esburacada. Faltam pedaços daquilo que não se sabe. Falta o desconhecido que não se viveu, que não se quis saber. Falta aquilo que simplesmente se ignorou, que não se pôde acessar. E nós não temos capacidade de dar conta de conhecer tudo do outro, de um relação, do que quer que seja. TUDO ainda é demais para nós, ao menos para mim que sou uma reles prisioneira dese corpo perecível. Diante do fato do desconhecido ser parte da verdade atual, arrisco novamente ao dizer que a Verdade é algo para os humildes. A Verdade é para aqueles que reconhecem sua ignorância, seu desconhecimentos de todas as peças do jogo. Até por que se fossemos verdadeiramente conhecedores, não estaríamos por aí "ameaçando outros com verdades", mas quem sabe estaríamos dispostos a trocar aprendizados a partir da Verdade conhecida. 

Com tudo isso, fiquei martelando uma corrente que passou no Facebook que pedia para escrever sobre algum conselho baseado no que aprendi nesse ano de 2016. Se tem uma coisa que eu aprendi foi sobre a Verdade. Aprendi que cada dia é UM dia: específico, frágil e potente ao mesmo tempo. Não duvide, não subestime. E mesmo no nosso atual estado de ignorância sobre a vida, o mundo e quem somos, nós podemos acessar a Verdade. Minha fé, me permite dizer que o que eu realmente aprendi esse ano e deixaria de conselho é: Confie na sua intuição, pois a Verdade nos chega pelo coração, e só diz respeito a nós mesmos. Cada um de nós tem uma Verdade a conhecer, pois cada um tem sua vida e seu caminho a percorrer, embora todos eles nos leve a um mesmo fim longínquo: a Verdade que esquenta nosso coração só diz respeito a nós mesmos.
Confie na sua intuição, mas purifique seus sentidos, harmonize sua mente e seu coração para realmente conhecê-la e saber usá-la. Confie, seja corajoso. A Verdade não é para aqueles que querem macula-la soprando-a ao vento, mas sim para aqueles que saberão usá-la no seu próprio crescimento. 

Eu não tenho medo da Verdade, não mais. Agora sei que Ela vem no tempo certo e da maneira certa e mesmo assim não vem por completo, mas vêm sempre o necessário para se dar o próximo passo. Um dia, depois do outro.

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