quinta-feira, 12 de maio de 2016

Boa nova

Hoje tirei o dia para calar.
Tirei o dia para em silêncio,
me conectar a você
e ao que você tem deixado em mim.

Não foi premeditado, aconteceu.
Amanheceu e eu não quis falar,
quis a quietude externa para velar a interna.
Quis saber como é ficar sem você, agora, que te tenho.

O silêncio foi acolhedor,
parecia abraçar o sentimento que ainda não sei mensurar/qualificar.
Foi um abraço intenso, aconchegante, tinha um calor diferente.
Se fosse um fogo, eu diria que era azul. Havia pureza nele.

Quando dei por mim, em pleno silêncio, o coração falou.

Eu só queria dizer: "sou mais feliz por ter você."
Não disse.
Precisava esperar mais, em silêncio.
Quis saber se era nascente, ou poço
aquele estado mental-emocional em que me encontrava.

Mental sim.
Pois, sem perceber o silêncio-acolhedor me levou a meditar.
Foi quando repentinamente comecei a sentir,
não o desconhecido.
Mas, num contexto diferente.

Agora eu sabia: era nascente.

Por algum toque da vida, me tornei fonte.
E pude ver novamente no infinito do meu ser a vida e o amor brotando.
E assim senti a água percorrer todo meu corpo,
levando emoção aonde eu achava que nem podia sentir
lavando memórias que eu nem lembrava que doíam tanto.

Pra quem é do fogo e dor ar, a água às vezes se torna novidade.
Traz nova idade, novos ares, novos fogos.
E e eu só queria dizer: "sou mais feliz por ter você."
Agora disse.