sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ah você...

Que ainda não saiu de mim,
desse lugar que nunca foi seu,
mas nunca foi meu da mesma maneira.

Ah você
que virou tudo do avesso,
me colocando frente ao meu avesso mas bonito.
Quem diria.

Ah você
que me levou para longe,
longe de um estado acomodado
de ser, querer, estar.

Ah você...
Que generosidade a sua,
que sem perceber foi me fortalecendo
pra que eu não tivesse mais medo de partir.

Nossa história é mais bonita agora
que podemos ver e entender melhor os frutos.

À você,
meu carinho mais profundo que o de sempre e
minha gratidão mais sincera.


"Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver"
(Cartola)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Daqui a pouco

Daqui a pouco eu vou pedir a Deus
Pra não deixar o Sol se esquecer de ninguém.

Daqui a pouco eu vou pedir a Mãe,
pra cada amanhecer nascer dentro de nós.

Daqui a pouco abrir a janela eu vou
Deixar o Sol iluminar o meu lugar.

Daqui a pouco eu vou sair,
Pra encontrar o Astro Rei de cara limpa.

Mas, agora eu não vou pedir a ninguém.
Que seja eu essa força por alguém.

Olhar nos olhos de quem por mim passar.
Sentir a dor do outro e a minha própria culpa.

Recuperar o tempo que gastei olhando em volta,
e fingindo que a cor do mundo
não vem de mim.
Quem sabe agora eu consiga ser melhor enfim.

Agora não há tempo pra me distrair
com as coisas que eu não posso decidir.

Deixo pra depois os pedidos aos céus,
por que agora eu também quero ser céu,
aprender a dar mais amor e fé.

"E há tempo para todo propósito debaixo do céu." Eclesiastes 3:1"

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Boicote aos sapatos.

Todo chão é sagrado.
Se estiver como veio ao mundo então, é o sagrado em forma bruta, ainda mais vital e pulsante. Seja um chão de pedras com água corrente, seja de terra, preparado para o fogo ou expansivo como o ar- sendo os dois últimos mais metafóricos- o lugar em que se pisa é sempre um lugar sagrado, ou ao menos deveria ser. O triste é que hoje em dia estamos cada vez mais distante do chão, muitas das vezes o acimentamos ou colocamos pisos e ainda por cima sapatos. Sob esses moldes da cidade urbana, cada vez mais artificial e distante das coisas mais naturais, nos acostumamos tanto com os produtos manipulados pelo homem que nem o chão conseguimos mais encarar com igualdade e serenidade. Hoje em dia muitos de nós tem nojo, medo, "nervoso". Cada um com suas dificuldades e entendimentos, mas o que me chama a atenção é como temos nos identificados cada vez menos com o natural, e o "minimamente" artificial tem se passado por natural/original. Reflitamos.
Nossa terra faz parte de nós, diz quem somos literalmente, embora muitos de nós não consigam perceber isso por uma visão ainda restrita -aqui não me refiro apenas a terra em que nascemos embora essa tenha um papel fundamental em nós, mas sim aquela a qual carrega nossa origem. Nossa terra é quem nos conhece a ponto de produzir os alimentos mais nutritivos especificamente para cada época do ano, os quais realmente precisamos mediante o clima e características próprias de cada estação. Nossa terra é quem nos pode oferecer o mais puro dos medicamentos até mesmo sem pedirmos, e ainda que usemos apenas medicamentos alopáticos tenha certeza de que foi através do poder e do conhecimento de cura dela que eles puderam ser produzidos -ainda que fiquem extremamente a quem de sua suposta função e versão original. Não importa o que façamos a terra esteve/está sempre ali provendo todo o necessário para que a vida se mantenha corrente. E é essa energia de vida, de renovação, de cura e harmonização que isolamos quando nos acostumamos cada vez mais com os pisos artificiais, que embora na nossa configuração de cidade seja necessário não podem se passar por naturais e nem tomar maior parte da nossa ligação coma terra. Paremos, respiremos fundo.
Catemos um pé de mato, um chão de pedra, de terra, de água da fonte e pisemos sem sapatos, sem isolantes. Usemos apenas o nosso próprio templo, nosso corpo para nos conectarmos com essas matérias geradoras e alimentadoras de vida. Descalçar-se perante o chão pode ser um ato de despir-se em humildade e reverência a sua generosidade e amor, aproveitemos e façamos disso um ritual, não mecanicista, mas que nos leve a pensar na essencialidade das coisas e dos movimentos. Em efeito o descalce nos coloca em contato direto com o que pode ativar nossa própria essência, pura e original, é um processo de re-conhecimento, re-conciliação fundamental para que sobrevivamos na vida urbana sem nos perdermos e deixarmos sermos completamente tomados pelo cimento. Menos sapatos, mais conexão.
Sigamos.