quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Daquilo que esquecemos

Minha saudade não tem nome,
nem cor, nem cheiro, nem forma.

Minha saudade não tem memória,
só intuição.

Minha saudade não tem referência,
não tem dimensão, não tem lugar.
Só rastro.

Não veio com remetente,
nem destinatário.
Mas tem horas que parece saber certinho aonde quer chegar,
pra onde precisa voltar.

Ela aparece como quem já viveu em mim,
mas não me reconhece mais.
E me chama a olhar para o espalho
pra vê se me encontro.



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Murmúrio

Eu queria versar um verso que te tocasse.
Um verso que me revelasse.
E te surpreendesse.
E me surpreendesse.

Na verdade eu nem sei versar.
Eu queria mesmo é te tocar assim
como quem não quer nada.

Como quem nada quer
além de chegar em algum lugar aí dentro.
Além de transbordar versos surpreendentes.

Mas eu continuo não sabendo versar,
não sabendo "querer nada".
É difícil,
mas as palavras atropelam.
E eu só sei falar.

Escrevo falando,
e por vezes falo escrevendo.
Mas eu queria, hoje, um leitor apenas.
Um verso apenas.

E uma surpresa
que me abrisse os olhos para algo melhor em mim
e que você pudesse ver também.