sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Do que não se fala.

Procurei poesias, trechos, rabiscos, papéis amassados.
Em nada encontrei a angustia que queria, o alívio que sentiria.
A maluquice do mundo e a maldade das pessoas são capazes de destruir o que há de mais poderoso em nós:
a ação.

Cada um de nós trancou uma ferida no lugar mais impossível de retornar e de esquecer.
Calar não é solução, é refugio.
Cada um se cala por um motivo.
Não esqueço os meus.
Tranco de novo o que se pode fala, tocar, pensar.

Mas o sangramento não pára se a maldade continuar aí,
desfilando com sua mentirosa capa de "a cima de qualquer suspeita".
Não dói menos quando é com o outro,
na verdade dói mais ainda.
Dói por si, e por não conseguir fazer parar.

O pior roubo é o da ação.
Falar é agir.
E quando calar vira prisão, falar se torna o ato mais corajoso.
Falar é em si é  revolução, arma e redenção.
Mas ainda dói de mais, sangra de mais e você não sabe nem por onde começar.
Seu corpo já quer negar a ti mesmo e você não consegue levantar a cabeça.

A maldade do mundo e sua face socialmente aceita te destrói, te rouba, te aprisiona, te cala.
E você a noite já não consegue rezar.
É nessa hora que você chora, sem mais poder controlar
e tenta se entregar gota a gota em oração.
A reza mesmo é para que se tenha força de reagir
e fazer finalmente parar essa roda da maldade.