segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Do ciclo que se fecha

A faculdade acaba,
a correria começa.
de um tempo que não passa
e uma certeza de só ter pressa.

De início o tempo fica,
o tempo acolhe e acalma.
Respirar pós-tormenta
É um cuidado a alma.

E as coisas andam,
e as mandalas se trançam,
e as mudanças se tecem.

O que era oculto aparece.
O que era simples enobrece,
o que era claro escurece.

Do vazio fez-se forma,
em palavras, em banho, em energia.
Em rosa.
Guarda a janela,o sonho, a coroa
E a prosa.
Da vida que volta a ter cor,
do tempo que agora ansioso
dá voltas.

Volta ao início, de tudo, de mim.
O amor religa o canal mais puro que pode existir.
Que me lembrar que não sou daqui.

Amei tanto antes de saber, de ver, de ser.
Mas a Mãe não é só grande
é a maior.

Quando chega abraça os medos,
movimenta os dedos
para abençoar.

Eis que é o melhor fim que podia ter
melhor presente só podia ser você.
As forças se mostram, mais fortes então.
Calo os medos, pensamentos, entrego minha razão.

O coração é guia, seletiva de entrada e porta de saída.
Mas para o puro como Ela é
vai entrar e fazer a festa que quiser.

O ano que vem já vem no axé,
na força mais genuína
que me mantém de pé.

A benção do Pai,
sob a guarda da Mãe.
2016 já é de filho de bons cuidados
e pai de grandes planos.

Venham o trabalho e as festas.
Que os ventos ventem,
 e as águas corram
para limpar o que for preciso
para melhores sementes sejam plantadas
e a nossa melhor parte não morra.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Amor solar

Ficar sem você
me faz literalmente desbotar em cor
em vida.

Ficar com você
me traz contraditoriamente frescor
de dia.
 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

À mãe

Uma vez ouvi:
"Ouvido de mãe sempre reconhece chamado de filho".
Assenti com a cabeça.
Só fui entender uns anos depois.

Quando mais precisei: ventou.
Quando ainda não tinha entendido o sentimento: ventou.
Quando quis alguém pra sorrir junto: ventou.

Não é o ouvido que reconhece, é o coração
que é onipresente.

A cada vento um sorriso,
um afago,
uma lágrima.

Ventemos
como a mãe ensinou.

E como bons filhos,
nos mantenhamos atentos e a disposição do seu chamado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Daquilo que esquecemos

Minha saudade não tem nome,
nem cor, nem cheiro, nem forma.

Minha saudade não tem memória,
só intuição.

Minha saudade não tem referência,
não tem dimensão, não tem lugar.
Só rastro.

Não veio com remetente,
nem destinatário.
Mas tem horas que parece saber certinho aonde quer chegar,
pra onde precisa voltar.

Ela aparece como quem já viveu em mim,
mas não me reconhece mais.
E me chama a olhar para o espalho
pra vê se me encontro.



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Murmúrio

Eu queria versar um verso que te tocasse.
Um verso que me revelasse.
E te surpreendesse.
E me surpreendesse.

Na verdade eu nem sei versar.
Eu queria mesmo é te tocar assim
como quem não quer nada.

Como quem nada quer
além de chegar em algum lugar aí dentro.
Além de transbordar versos surpreendentes.

Mas eu continuo não sabendo versar,
não sabendo "querer nada".
É difícil,
mas as palavras atropelam.
E eu só sei falar.

Escrevo falando,
e por vezes falo escrevendo.
Mas eu queria, hoje, um leitor apenas.
Um verso apenas.

E uma surpresa
que me abrisse os olhos para algo melhor em mim
e que você pudesse ver também.

domingo, 23 de agosto de 2015

Eu sou.

Eu sou do vento.
Eu sou do tempo.
Sou tudo que é lento,
Intenso e bravio.

A onda do mar que bate,
Quando a dona dos ventos faz festa.
O sopro na nuca da vulnerabilidade
Que vira e mexe nos testa.

Sou também o gás
Que não cabe no cubículo mundano,
com a capacidade inerente de expansão.
A prioridade é se lançar no profundo
E saber viver o fugaz.

Mas o ritmo que sou tanto faz,
Quem comanda não me ensinou a comandar,
tampouco a obedecer
Exceto a mim mesma,
A quem continuo a buscar.

"É pra dentro que se vai
quando se quer ir pra cima."


terça-feira, 2 de junho de 2015

Menina da terra.

Num tempo em que o tempo parecia
curto, escasso e inevitável

tu já era terra fértil,
mesmo se esquecendo às vezes.

Não te conheci semente,
mas te vi germinar.

Desabrochou em flor, em copa
forte e intensa.

Hoje, tornou-se raiz
e embrião ao mesmo tempo.

É o recomeço de um processo mais que antigo,
de um germinar, desabrochar e enraizar.

É o preciso e bonito:
Tornar-te quem tu és.

E olhar pro espelho e se sentir forte
por permitir-se ser.

Salve a tua força, menina da terra.
Que teu fogo transmute, tua água fluidifique, teu ar movimente.
Salve o teu caminhar.


sábado, 23 de maio de 2015

Já devia.

Com tantas noites em casa,
com tantos momentos reflexivos.
Com tanto início de pensamento,
de poema, de música, de sentimento.

Com tanto cheiro que lembra, que comove, que esquece.
Com tanto lápis na mão frente ao papel em branco.
com tanto "criar nova postagem".
Com tanta ideia, refrão,
hiki esquecido.

Com tanto tanto.
Eu já devia ter escrito um livro.
É.
Já devia.

Fica pra próxima.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ainda te faço

Um dia ainda te faço um Rap.
Um dia bem que dizia :"queria te guardar".
Te desenhar em letras, linhas...
ponto a ponto a te criar.
Em um poema que te fosse cabível,
tocável, quem sabe até amável.
Por que eu sempre quis te atingir,
ver em você um outro jeito de sorrir
para mim.

(Mas, isso é vaidade, engulo a seco).

Eu queria ter um pedaço de dia, de rotina,
de coisa nossa no teu mundo.
Coabitar esse espaço intenso e corrido.
Queria ser parte de algo.
A parte leve, sim, mas a queria ter aguentado as pesadas, também.

A gente só tem o que pode e merece ter.
E tivemos o nosso torto, o nosso nada.
(Abençoado seja)
Que o tempo afasta, mas é cedo pra dizer que a memória apaga.

Um dia ainda te faço um Rap,
jogo umas verdades tantas, tontas
e saio mais leve.
Torcendo pra que chegue até você,
quem sabe até dê o "repeat".
Da mensagem.
Da mensagem.

terça-feira, 10 de março de 2015

Um pássaro

Um pássaro veio me contar.
Um pássaro veio me abençoar.
Ele dizia que não tinha poesia,
mas só de chegar fez a cor do dia mudar.

Um pássaro veio me sorrir.
Um pássaro veio me colorir.
Trouxe o cinza da sua cidade,
pintou o céu com a sua verdade.

Ele não é daqui,
ele não é de lá.
A sua raiz precisa resgatar.
A sua terra será bem-vinda ao retornar.
E eu torço pra esse teu vôo bonito chegar.

Um pássaro veio me cantar.
Um pássaro veio me alegrar.
Virou radiola, trouxe música e paz.
Trouxe companhia e muito mais.

Tão longe, tão perto.
De meio louco parece tão certo.
Mas não tem nada não...
nem pegou na minha mão.

Faremos os dias como puder,
Sr. pássaro.
Fiquemos bem, como Deus quer.


Olho teu vôo daqui, tu me olha daí.
Quem sabe um dia...

A gente vai se encontrar.
E as nossas cores, a bagunçar.
Nosso sotaque a se misturar.
E a poesia nos usará.

Quem sabe um dia?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Do que não se fala.

Procurei poesias, trechos, rabiscos, papéis amassados.
Em nada encontrei a angustia que queria, o alívio que sentiria.
A maluquice do mundo e a maldade das pessoas são capazes de destruir o que há de mais poderoso em nós:
a ação.

Cada um de nós trancou uma ferida no lugar mais impossível de retornar e de esquecer.
Calar não é solução, é refugio.
Cada um se cala por um motivo.
Não esqueço os meus.
Tranco de novo o que se pode fala, tocar, pensar.

Mas o sangramento não pára se a maldade continuar aí,
desfilando com sua mentirosa capa de "a cima de qualquer suspeita".
Não dói menos quando é com o outro,
na verdade dói mais ainda.
Dói por si, e por não conseguir fazer parar.

O pior roubo é o da ação.
Falar é agir.
E quando calar vira prisão, falar se torna o ato mais corajoso.
Falar é em si é  revolução, arma e redenção.
Mas ainda dói de mais, sangra de mais e você não sabe nem por onde começar.
Seu corpo já quer negar a ti mesmo e você não consegue levantar a cabeça.

A maldade do mundo e sua face socialmente aceita te destrói, te rouba, te aprisiona, te cala.
E você a noite já não consegue rezar.
É nessa hora que você chora, sem mais poder controlar
e tenta se entregar gota a gota em oração.
A reza mesmo é para que se tenha força de reagir
e fazer finalmente parar essa roda da maldade.