segunda-feira, 30 de junho de 2014

Insetos em volta da lâmpada

Não sabem nem o que querem,
são fracos de mais para isso.
Choram em despedidas para seguir o protocolo.
Estão preocupados de mais com protocolos.
Protocolo do relacionamento feliz.
Protocolo do cotidiano do casal.
Protocolo de datas comemorativas.
Protocolo do amor moderno.
Protocolos sociais.
Querem estar bem sucedidos, realizados-
no sentido protocolar.
São cheios de expectativas vazias que foram alimentadas por um romance qualquer,
procuram quem que caiba nessa realidade fictícia.
Não a encontra onde a felicidade existiu,
mas parte mesmo assim,
pois é mais importante seguir o roteiro do que amar de verdade.

(...)

"Lhes dê grandeza e um pouco de coragem."

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sobres os dias estranhos.

Dias em que a poeira fica se escondendo pelos cantos.
É estranho mesmo depois de tanto tempo todas as músicas de amor,
aquelas que invadem fortalezas, que quebram armaduras,
que mostram coragem,
que dialoga com a minha forma de sentir,
essa coisa toda de um "ser sentimental".
Que eu esqueço que sou.
Essas músicas que falam de um amor que eu entendendo.
É.

Todas essas músicas.

Todas elas.

Todas.
Me lembram você.

Estranho né?
Eu podia lembrar do olhar mais apaixonado que recebi, e que não foi teu.
Podia lembrar da primeira vez que me senti completamente vulnerável ao coração
e que me desconcerta até hoje.
Podia lembrar de mim mesma, do meu amor próprio que sempre foi maior que tudo.

Mas eu lembro de você.
Mesmo não sendo mais nada,
nem em energia, nem em pensamento, nem em sentimento
tu te conservaste em música para mim.
Mas, por quê?
Se nunca vai voltar,
se você decidiu que nada tinha sido como na canção,
se eu lembro o que é óbvio que amores são para canções, filmes, arte.
Tudo que seja abstrato, intocável, não huamano, não real.

É idiota de mais.
Mas até o Projota acertou dessa vez:
"Amores fracos não merecem o meu tempo."
.

domingo, 1 de junho de 2014

Sobre- quase- ontem.

Você foi meu tiro no escuro.

Foi.
(ser no passado)

...

Ou nem foi.
Ou nem isso.

Não importa.
Não deve importar mais,
ainda que
me importe.

Meu tiro no escuro.
Meu.
Depois de tanto correr de qualquer pronome que prendesse você a mim,
me encontro possessiva nesse possessivo.
Que na verdade diz mais sobre mim, do que sobre você em relação a mim.
Você nunca foi meu em nada.
Mas acho que encontrei nossa exceção, a única forma em que você é "meu".
Ratifico:
Meu tiro no escuro.

Sem muita pretensão em ser, em nada.
Sem nenhum plano, nenhum segundo passo.
Nada.
Enquanto me dava conta da escuridão,
tive carinho recebido, sorrisos despertos e calor trocado.
Mas ainda era escuro, por mais aconchegante que fosse.

A escuridão se completa no inesperado, no meu receio de sempre.
Meu poeta mais recente na lista dos preferidos diria:
"quente demais para ser tão frio".
Quente demais para ser tão frio !
 
Completo:
E na tua mente claro de mais para o que é escuro.

E nesse escuro, com a finitude das coisas sinto molhar o chão.
Meu tiro no escuro, fora um tiro certeiro.
Fora um tiro no pé.


*Sobre meu poeta: de leão, de coração, e de sal, Marcus.