domingo, 16 de fevereiro de 2014



Eu queria apagar o mundo.
Deixar todos no escuro.
Tocando uma música lenta de fundo.
Quem sabe assim não dormissem- chega de murmúrios.

Queria reciclar ideias, principalmente pessoas.
Não precisar mais lutar contra o cansaço dessa gente que parece não saber o que diz.
Queria encontrar refúgio, queria poder circular dentro e fora.
sair desse coma profundo
que tanto me apavora.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

2013: Acho que fiquei meio vândala.



 Gosto de fazer aniversário no fim do ano (20/12) sempre sinto meu ciclo de vida anual se finalizando em sincronia com o calendário, às vezes não é bem assim mas eu gosto de pensar sempre positivamente. rs Completados 22 anos esse ano completei uma fase minha que entendi com uma fase a La Juscelino Kubtschek: amadurecendo 50 anos em 5, e vim nesse ritmo desde 2009 quando tinha 17. Lá atrás no início de tudo eu não tinha noção de como os próximos 5 anos seriam e na verdade eu só tinha uma ânsia e um buraco muito grande que eu queria preencher com a vida, mais e mais poder me alimentar e energizar com a vida, com viver. Entrei em namoro, saí de namoro. Entrei em colégio, saí de colégio. Entrei na faculdade, fiz amigos, conheci lugares, culturas, mundos, militâncias, artes. Sim minha fase JK me fez mudar de opinião, me fez descobrir coisas sobre mim que ninguém imaginava, eu que sempre tive tanta certeza de cada linha da palma da minha mão de repente eu me perguntei "que mão é essa?", me vi com outros caminhos inimagináveis e minha mão aparentemente nova se tornou bem mais interessante. Durante esse tempo eu perdi o controle, a Bárbara racional e sempre atenta e perceptiva não percebeu que tudo que passou desde de 2009 me transformaria na mulher que sou hoje. E meu complexo de achar que tinha parado nos 13 anos, apesar de toda ranzinzice (hehe), passou! Parece besteira, mas a gente não percebe mesmo que cada lágrimas, cada riso, cada besteira, cada grito nos compõe como numa obra de arte inacabada e contemporânea, dessas que enaltece e respeita o imperfeito. Cada gostar foi importante, cada relacionar foi importante. Cada laço, cada nó, cada desembaraço, cada partida e cada chegada. Hoje eu sinto de verdade que os clichês valem a pena, e que envelhecer é amadurecer, por mais que pareça que não, por mais que não se sinta vivendo tão plenamente, tão profundamente. TODAS as experiências nos edificam de alguma forma! E 2013 foi o fechamento dessa fase JK e aquele buraco HOJE só HOJE, digo me referindo ao final do ano de 2013, eu consegui compreender melhor esse e sentir ele preencher de alguma forma. Mas o processo foi difícil e há alguns anos eu tinha essa vontade como algo estranhamente distante, como se viver por mais que estivesse sendo verdadeiro e bom, estaria sendo de alguma maneira superficial. E o buraco ficava sempre lá, eu me angustiava até por achar que nunca conseguiria suprir essa necessidade de algo que eu nem sabia o que era, só sabia que faltava algo muito grande na minha vida, em mim. Eu tinha vontade de sentir a vida pulsando de verdade, circulando nas veias a mil por hora e alguns textos antigos mostram essa sede eterna de viver e a angustia de nunca se sentir plenamente viva, aproveitando de verdade a vida.

 Mas esse processo de compreensão do buraco, dessa vontade incansável marca outra fase que foi iniciada nesse ano de 2013 é o que de fato regeu meu ano. Dizem que 21 recomeça um novo ciclo de amadurecimento, é o momento pensar em alguma escolhas e buscar os caminhos que você quer seguir. E esse ano foi o ano de seguir meus sonhos, foi o ano buscar quem eu sou depois de tudo já vivido e pensar em como buscar quem eu quero ser. Esse ano foi o meu ano, o ano que eu acho que sempre esperei por que foi o ano que eu dediquei a mim, as minhas vontades, aos meus ideais, as minhas necessidades. Esse ano eu conheci tanta gente que chega meu coração acelera, conheci tantas outras realidades, tantos outros pensamentos. O teatro foi o maior presente que Deus permitiu que eu me desse. Passar para o Nossa senhora do Teatro foi, apesar de todas correria, estresse e sentimentos confusos- foi de longe a coisa mais linda que me aconteceu! A imersão teatral que tivemos que vivenciar foi de longe a  vivência mais linda que eu tive! E justamente quando eu estava desesperançosa com as pessoas e comigo, com a minha capacidade de renovação de sentimentos, e de recuperação de um olhar convidativo ao outro eu conheci tanta gente linda, esbarrei com cada sorriso e conheci uma energia que até então estava só no meu ideário de "mundo perfeito". E eu me lembro de que no primeiro dia útil no pós-imersão eu senti uma falta tão grande de dar bom dia as pessoas sorrindo sem precisar ter razão ou intimidade prévia, queria cantar "Bom dia sol, bom dia luz" e as pessoas do cotidiano pareciam simplesmente não se importar e eu quase chorei, mesmo. Era uma falta tão grande de estar com todo mundo e ao mesmo tempo estar comigo mesma sozinha e em paz. Eu só tenho a agradecer pelos momentos lindos, pelas pessoas lindas que o teatro me trouxe. E agradecer por fazer tão parte de mim, agradecer por eu ter descoberto que eu sou muito mais teatro do que pensava. É intrigante, pois de início eu queria dar nesse ano mais atenção a espiritualidade e passar e conhecer melhor alguma religião, mas acabou que não consegui adiar mais o teatro e fui para ele. Mas hoje depois de tudo eu constatei que foi a atitude mais em prol da minha espiritualidade eu podia fazer, pois estar naquela sala, subir naquele palco mesmo que discordasse de diversas coisas me completava de uma maneira quase transcendental. Era uma sintonia e uma conexão tão grande que eu tive no palco que eu me descobri parte pulsante da energia que faz o teatro. E conhecer gente que pulsa arte, que tem aquele brilho nos olhos esperado por todos os amantes verdadeiros foi simplesmente fundamental para que acreditasse ainda mais no que para muitos é "utopia" ou "brincadeira". Concluí por fim, não só um curso, mas um ano de muitos encontros sonhos, de muita troca de conhecimento de brilho nos olhos de amor, sim amor esse que eu levanto a bandeira sempre por ser o maior de todos entre todos os seres humanos, entre todos os nossos irmãos. E quando você descobre o teatro também como uma religião você descobre outra maneira de se conectar com Deus. 

Alimentado bem o espírito com o teatro outro ponto fundamental dessa loucura que chamo convencionalmente de ano 2013 eu alimentei também minhas utopias, meus ideais, minha vontade de mudança. Nesse ano senti cada vez mais na pele que cada atitude por mais simples que fosse sobre mim mesma parecia uma teimosia, uma afronta ao outro, ao normatizado. E quando me vi eu era feminista só por querer ser eu mesma. Os outros me viam feminista antes de mim. E eu já não aguentava mais os comentários que tinham implícita a ideia de que não há problema nenhum em se meter nos meus pelos, no meu estilo, no meu cabelo, no meu jeito, no meu batom ou na falta dele. Afinal é "só um comentário." Um comentário que quer demarcar que meu cabelo não está tão bom quanto o que o outro acredita ser, um comentário que vem sempre com um tom de crítica, de que você não pode agir sobre você mesma, como se não fosse normal e saudável eu querer me respeitar e me admitir em todos os aspectos, mesmo que isso signifique ter facetas bem diferentes do esperado. Descobri esse ano que sair de casa é um ato revolucionário, põe em questão vários preconceitos e insegurança que cada um tem guardado, inclusive eu mesma. Esse ano, fui às ruas, aprendi sobre o que é estar na rua e o que é militar pelo que acredita- independente do que seja, mas aprendi mais ainda sobre o que não é política, nem ser politizado. Aprendi que por mais que estejam muitos "acéfalos" na rua misturados a alguns cidadãos que sabem o que querem política e socialmente ainda é melhor do que os manterem em casa assistindo a programação que os deixa ainda mais apáticos. Afirmo isso, pois foi na rua que me senti extremamente pequena diante daqueles que vivem a política, vivem a militância, e tem muita gente há muito tempo na luta e sim eles conseguem algumas conquistas que você não irá ver nos jornais. Foi na rua que me vi também tendo que explicar o que foi a Guerra Fria e o que é o capitalismo e socialismo – e me questionei inclusive se eu sabia mesmo o que essas ideologias são, e tendo que explicar para a pessoa que ela não é burra que ela é provavelmente reflexo de uma sociedade desigual. Foram a partir desses choques que aprendi na marra que é importante participar, pois coisas aleatórias e muito enriquecedoras acontecem. Eu me senti desde muito pequena e infantil até professora e exercitando toda minha pedagogia em plena manifestação na Pres. Vargas. E foram esses momentos que me instigaram a estudar mais, a ler mais, a trocar mais e a querer mais a rua, as praças, as pessoas. Vivi esse ano algumas desconfianças e pensamentos antigos que vinha desenvolvendo a partir de reflexões e conversas informais. Comprovei e choquei - digo isso do lugar de quem se achava até bem espertinha e com consciência social- que não temos noção de 1% da realidade e que se prender nas derrotas passada pela televisão só vai nos tornar ainda mais desarticulados quanto unidade, não vai permitir aproximar os iguais, ou semelhantes.  Atestei também que a grande- talvez a maior- sacada mídia seja a nossa desarticulação, mas também o alimento constante ao nosso desencanto com a política, com as pessoas, com a vida. A segurança deles é o nosso pessimismo, a nossa falta de fé, de coragem, de vontade. Senti na pele que sair da inércia é o maior desafio, mas que não se pode abater quando se têm objetivos e ideais. E que é na vida que aprendemos sobre amor, solidariedade, união, luta, conquista, vistoria, heróis, bandidos e pessoas. E através das poucas experiências nas ruas, mas das muitas experiências trocadas via a sacra internet e encontros com mais gente linda que pude conhecer e me aproximar, meu vazio foi perdendo ainda mais espaço para os sonhos, para a vontade, a energia.

De toda minha experiência de 2013 posso concluir pela mídia e por aqueles em que fui me espelhando e trocando através da empatia: virei vândala. E que 2014 seja só vitória, só amor, só filosofia, só  poesia, só aprendizagem e muito vandalismo.


Ps.: Demorou mas se concluiu! Sobre um 2013 nem tão distante assim. ;)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Não entendem.

Não entendem quando não é justiça. Não entendem quando é. Não entendem o que é terreno e egoísta, pensam que entendem quando o outro é. Não entendem quando é amor, nem quando não é. Não entendem o que é conversa. Não entendem o que é reclamação. Não entendem o que é relação. Não entendem o que é compromisso. Não entendem o respeito como princípio básico e redentor. Mas entendem o medo como necessidade natural. Não entendem quando eu digo "pode confiar". Não entendem quando eu fico. Não entendem quando eu vou. Não entendem o que é ser humano. Não entendem o que é direito. Não entendem o que é privilégio. Não entendem o que é igualdade- por mais que a preguem. Não entendem que é preciso redenção- nem que é possível. Não entendem que antes e depois de sermos homens e mulheres somos seres humanos - então foda-se. Não entendem que o princípio da liberdade de expressão é a própria liberdade então não se pode usá-la com fundamentos preconceituosos nem para incitar, apoiar qualquer tipo de violência. Não entendem que toda ciência serve a um interesse, e que você não é obrigado a compactuar com ele. Não entendem que naturalizar os fatos não te faz menos culpado pela realidade. Não entendem que gritar nem sempre ajuda, mas que às vezes é necessário. Não entendem que não se pode simplesmente deixar as coisas para trás. Não entendem a diferença entre porta entreaberta, porta fechada e porta escancarada. Não entendem que é sempre bom bater antes de entrar. Não entendem que fazer escolhas é ter de lidar com as consequências, e nem por isso decisão deve ser sinônimo de prisão senão de responsabilidade. Não entendem quando falo em quebra de correntes. Não entendem que o corpo é meu e que é de extrema educação não se meter no que diz respeito a ele. Não entendem que sou capaz de responder pelos meus atos. Não entendem que estou lúcida diante as minhas escolhas. Não entendem que viver é conviver com o que foi vivido. Não entendem quando "don't you ever say " I just walked away" I will always want you". Não entendem quando buscar sua felicidade não devia ofendera felicidade de ninguém. Não entendem quando estudo e busco minha formação para a mudança e não a manutenção das coisas. Não entendem quando ser crítico não é falar mal. Não entendem quando o amor não é responsável por 90% do que dizem/fazem em nome dele. Não entendem que eu posso na maioria das vezes entender. Não entendem que não me entendem. Não entendem, que eu também não sou nem quero ser quem sempre entende. Não entendem e eu também não entendo.

"Para eles você ainda não é maduro o bastante." Incompreendido. Flávio XL.