domingo, 30 de novembro de 2014

Para não dizer adeus.

Escrevo pra te esquecer.
Pra te apagar.

Talvez.

Escrevo para te tirar de mim.
Pra te reduzir à letras alfabéticas.

(...)

Mentira.
Escrevo pelo o contrário.
Não posso me enganar.

Escrevo para não te deixar ir embora
da minha lembrança falha,
da minha afeição,
da minha vontade imensa de ter te feito mais feliz possível.

Antes de transformar-te em palavras.Precisei reviver você,
É por isso que escrevo agora,
e talvez até daqui algum tempo.

Quero te reviver.

Escrevo para não esquecer.
Como já fiz tantas outras vezes sem perceber.

Escrever é materializar para que não se perca no tempo,
para que as pessoas de alguma forma saibam,
que eu amei, que eu chorei, que eu sorri.

Escrevi para chorar menos a dor da perda,
e toda vez que me lembro do imenso vazio
me vem em palavras
e graças à elas dói menos.

Me dói menos saber que posso fazer poesia
da vida,
do que perdi,
do que amei,
do que amo.

Ainda que não sejam boas é tudo que eu tenho.
É a forma mais sincera e simples de viver sempre o que foi bom.
E agora tem sido você,
há algum tempo tem sido você.
Mas, até quando?



sábado, 1 de novembro de 2014

Sr. Caótico.

Te conheci sorriso,
te conheci barba
olhos de amêndoas,
e mais sorriso.

Te conheci sem sotaque,
com referência paulistana
e surpresa de natalidade baiana.

Te conheci com nariz entupido.
Com o coração rodado,
com histórias na mala
e crianças lindas.

Te conheci voz,
poesia,
fotografia
e relatório.

Te conheci mesmo sem te conhecer.
Te conheci das quebradas,
mas quebrado mesmo é esse título.
Quebrado e bonito como toda imperfeição do homem.
E foi assim que você quase se apresentou uma vez.

Cheio de caos e
seja pelo motivo que for
me disponho a ajudar a bagunçar, encontrar e harmonizar.

Pois, te conheci antes de tudo: menino.
Nos olhos, no sorriso e no coração.
E quem deixa um menino na mão?
<3 br="">

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Insetos em volta da lâmpada

Não sabem nem o que querem,
são fracos de mais para isso.
Choram em despedidas para seguir o protocolo.
Estão preocupados de mais com protocolos.
Protocolo do relacionamento feliz.
Protocolo do cotidiano do casal.
Protocolo de datas comemorativas.
Protocolo do amor moderno.
Protocolos sociais.
Querem estar bem sucedidos, realizados-
no sentido protocolar.
São cheios de expectativas vazias que foram alimentadas por um romance qualquer,
procuram quem que caiba nessa realidade fictícia.
Não a encontra onde a felicidade existiu,
mas parte mesmo assim,
pois é mais importante seguir o roteiro do que amar de verdade.

(...)

"Lhes dê grandeza e um pouco de coragem."

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sobres os dias estranhos.

Dias em que a poeira fica se escondendo pelos cantos.
É estranho mesmo depois de tanto tempo todas as músicas de amor,
aquelas que invadem fortalezas, que quebram armaduras,
que mostram coragem,
que dialoga com a minha forma de sentir,
essa coisa toda de um "ser sentimental".
Que eu esqueço que sou.
Essas músicas que falam de um amor que eu entendendo.
É.

Todas essas músicas.

Todas elas.

Todas.
Me lembram você.

Estranho né?
Eu podia lembrar do olhar mais apaixonado que recebi, e que não foi teu.
Podia lembrar da primeira vez que me senti completamente vulnerável ao coração
e que me desconcerta até hoje.
Podia lembrar de mim mesma, do meu amor próprio que sempre foi maior que tudo.

Mas eu lembro de você.
Mesmo não sendo mais nada,
nem em energia, nem em pensamento, nem em sentimento
tu te conservaste em música para mim.
Mas, por quê?
Se nunca vai voltar,
se você decidiu que nada tinha sido como na canção,
se eu lembro o que é óbvio que amores são para canções, filmes, arte.
Tudo que seja abstrato, intocável, não huamano, não real.

É idiota de mais.
Mas até o Projota acertou dessa vez:
"Amores fracos não merecem o meu tempo."
.

domingo, 1 de junho de 2014

Sobre- quase- ontem.

Você foi meu tiro no escuro.

Foi.
(ser no passado)

...

Ou nem foi.
Ou nem isso.

Não importa.
Não deve importar mais,
ainda que
me importe.

Meu tiro no escuro.
Meu.
Depois de tanto correr de qualquer pronome que prendesse você a mim,
me encontro possessiva nesse possessivo.
Que na verdade diz mais sobre mim, do que sobre você em relação a mim.
Você nunca foi meu em nada.
Mas acho que encontrei nossa exceção, a única forma em que você é "meu".
Ratifico:
Meu tiro no escuro.

Sem muita pretensão em ser, em nada.
Sem nenhum plano, nenhum segundo passo.
Nada.
Enquanto me dava conta da escuridão,
tive carinho recebido, sorrisos despertos e calor trocado.
Mas ainda era escuro, por mais aconchegante que fosse.

A escuridão se completa no inesperado, no meu receio de sempre.
Meu poeta mais recente na lista dos preferidos diria:
"quente demais para ser tão frio".
Quente demais para ser tão frio !
 
Completo:
E na tua mente claro de mais para o que é escuro.

E nesse escuro, com a finitude das coisas sinto molhar o chão.
Meu tiro no escuro, fora um tiro certeiro.
Fora um tiro no pé.


*Sobre meu poeta: de leão, de coração, e de sal, Marcus.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Uma carta para meu eu de 10 anos atrás

De: Bárbara de  31/03/2014
Para: Bárbara de Uma data qualquer/2004

Se tiver a sorte de ler essa carta, quero primeiramente que se permita impressionar como se estivesse diante de um sonho, de uma fantasia. Acredite: você precisa se permitir fantasiar mais. Não busque a realidade pesada, não dê forças a pensamentos deterministas sobre a vida. Não se "determine". Eu, mais do que qualquer um, sei que você tem um impasse tremendo entre a vontade de poetizar e a cobrança pela razão então: calma! Você vai conseguir passar por tudo isso e com o passar do tempo não vai ter de fazer tanta força para viver com mais leveza e plenitude. Aprenda a relaxar e não fique se prendendo tanto a sua maturidade, nem se cobrando de mais por isso, você tem todo o direito de ser boba desde que seja honesta e feliz.

Um conselho importante: acredite, toda essa cobrança por ser "exatamente quem você é" só vai te fazer ficar confusa e meio desorientada daqui a uns dois anos. Dilua isso, se respeite mais, julgue menos a si mesma para na próxima "fase" você não cometer metade dos erros que cometeu por que não tinha ninguém para dizer "O que que você está fazendo consigo mesma?". Mas como nos conheço bem, acho difícil mudar tanto o rumo dessa história se ainda sim você se sentir sozinha e confusa entre a autonomia e o moralismo e cometer e cometer aqueles erros não se penalize tanto. Lembre: VOCÊ É MUITO NOVA! E TEM TODO DIREITO DE ERRAR! Respeite mais o direito ao erro e você perceberá que eles diminuirão com o tempo, ao menos ficarão menos repetitivos e mais diversificados. Por que somos seres errante e nós com toda nossa racionalidade sabemos bem disso.E saiba:  tenho muito orgulho de nós, mesmo com o erros que com o meu conselho você pode minimizá-los ou não. rs Aliás será o seu perdão o grande propulsor de si mesma, mas até lá aguente firme mas busque ser leve- sem ser leviana jamais.

Aproveite bem seus amigos e todo o período no Colégio Brigadeiro Newton Braga aonde vai estudar somente até a 8ª série, você desconfia disso mas eu posso dizer que a mudança será real. Passar o primário e Ensino Fundamental numa mesma escola te trará um ligação extrema com o lugar e com as pessoas e eu sei que você já é grata e valoriza isso. Mas, vai por mim demonstrar a alegria de estar ali com aqueles pessoas nunca é de mais. Essa história de curtir mais e se levar menos a sério é importante para sairmos tranquilas de que demos e vivemos nosso melhor. Cada amigo que lhe é importante será importante até agora- 10 anos depois, e pelo quão nos conheço serão importantes por toda a vida. E isso vai te faezr sentir mais orgulho ainda pelo que você se tornou.

Por falar em orgulho preciso elogiar. Mesmo com todo os dilemas nessa sua pequena cabecinha- mas que não para um segundo- você sabe em algum lugar aí que você tem orgulho de ser você. Por todas a pequenas lutas que você tão sensivelmente enfrenta só por querer fazer escolhas suas, só por agir de acordo com os seus princípios e valores.- Você até vai sentir necessidade se firmar feministas, mas ainda tem muito caminho pela frente.- . E agora tenho uma notícia boa: você encontrará mais gente que pensa parecido e seus amigos também vão amadurecendo e de alguma forma você se sentirá mais acolhida no mundo. Principalmente quando entrar para o teatro! É!Pode rir, pode pular, mas pode acreditar! Você passará 21 anos com essa sede de sei-lá-o-que que só aliviará com o teatro e com toda a vivência cênica e poética desse período!

Olha, eu preciso retomar no assunto orgulho. Volto a repetir: sei que você, do seu jeito, tem orgulho de si. Mas não esqueça que és ainda muito pequena para saber de tudo, ainda que esse tudo seja si mesma. Só eu sei o quanto você se sente estranha às vezes, mas confie mais nos teus pais. Você ainda se surpreenderá muito com eles. Peça ajuda e aceite ajuda para lidar com os conflitos internos, hoje eu tenho mais certeza ainda de que desde muito nova você já pensava de mais e mesmo com toda imaturidade você carregava o mundo, mesmo sem pode-lo, mesmo sem saber direito o que é esse mundo. Não alimente o orgulho-"pecado" aquele que adoece o espírito, o corpo, as relações. Não tenha medo de se sentir menor ou mais frágil por pedir desculpas. E entenda: chorar faz parte. 

Mas não parei para lhe escrever só de preocupação com teu astral não. Vim te "trazer boas novas"! Aos poucos você vai aprender a lidar consigo mesma e vai usar as palavras para isso e aos poucos vai perceber que além de terapia de autoconhecimento as palavras lhe ajudarão a manter a sensibilidade perante a vida, as coisas. É difícil falar de nós nesse seu momento em que está no auge da sua contradição entre a razão e a sensibilidade, mas eu estou aqui enfrentando esse desafio por nós. Para você ver que o que você faz com sua imaginação não precisa estar tão distante do mundo concreto em que você se depara com sua própria racionalidade. Mas você vai começar a ligar menos para a razão e pra "emoção" e quando se perceber já estará escrevendo de novo. E acredite: alguns te elogiarão por isso! :)
Você vai passar por situações e adquirir vivências que serão tudo que você sempre precisou, sempre quis mesmo sem saber! Você vai se apaixonar pelo seu curso na faculdade, você vai encontrar uma inspiração para vida, lá dentro da Universidade. Não gosto de estragar surpresas mas vou dar só uma luz: você vai trabalhar e estudar filosofia com crianças e vai conseguir conquistar um grande sonho através disso. Você vai levar seu pensamento, o pouco conhecimento aprendido e seu projeto que é seu amor para um lugar que você vai se interessando cada vez mais por conhecer. ;)

Flor, você vai receber em 2010 o presente mais lindo do seu irmão que vai mudar você, que vai naturalmente fazer você aprender diversas lições que eu to tentando te passar aqui. rs Você vai se reapaixonar pela vida seriamente! E acho que não vai se desencantar mais, mesmo com a crescente tomada de consciência política nossa, você vai aprender a ver, a escutar, a sentir a poesia da vida. O que me faz lembrar que você conhecerá em 2008 uma trupe que vai ser também primordial nesse "desabrochar" nosso: O Teatro Mágico. Sim, eles te ensinarão o que você em algum lugar aí já sabe, só não tá sabendo ainda. rs Com eles você se encontrará ainda mais em si mesma e irá deslanchar num processo de harmonização consigo mesma que será cada vez mais intenso e bonito, você transpirará essência. Eles te ajudarão a nunca esquecer que "A poesia prevalece" e hoje até a tua pele diz disso.

Menina, aproveite bastante essa fase de busca pelo "Blog perfeito". rs Mude de nome mil vezes, de tamplate mais centenas de vezes. Eu gostaria hoje de lembrar dos nomes, mas tudo bem eu entendo essa necessidade de ter de apagar algo para recomeçar. Aproveite bastante esse mundo das escritas simples, muitas vezes íntimas ou só poéticas. Mas será, esse mundo que te trará muita experiência de escrita, de leituras para minha própria formação crítica, poética, e como mulher. Não desanime quanto ao seu próprio blog, ser popular nunca vai ser o seu foco nem sua importância, então não ligue pra isso. E no tempo certo você vai achar o seu canto, o seu lugar. E sua escrita fluirá com o tempo, ainda que você não descubra qual o tempo certo para escrever. Mas você vai perceber como o respeito a cada detalhe desse sobre si mesma e sobre a vida, te trará textos tão queridos por você independente de demorarem uma semana ou 1 ano para virem ou de quantos comentários você recebeu no blog. rs .

Não recrimine a internet e confie: ela lhe será muito útil daqui a alguns anos. Ela será sua principal fonte de informação, e uma forte ferramenta de formação. Mas antes disso ela lhe será um lugar para conhecer pessoas, fazer amigos e trocar conhecimentos e experiências.Você fará uma amizade linda que você ainda hoje, no meu tempo, morre de vontade de ultrapassar as fronteiras do virtual para o concreto. Essa "pequena" lhe servirá como grande inspiração e exemplo, mesmo ela sendo mais nova.- Mas quem se importa com isso? Você nunca foi boa e seguir o curso mesmo. rs

Um detalhe: Você aí em 2004 não entende como as pessoas gostam de salto e pasme: um dia você vai se sentir obrigada a usá-los pela deficiência na parte estrutural do corpo.rs Mas isso será um breve relapso pois você voltará ao plano, mas dessa vez equilibrando o tênis com chinelo e até algumas rasteirinha se sandálias, veja só.rs Sim, você passará por esse ciclo de se aproximar de uma estética, ou pensamento e depois se afastar reaproximando do que era antes mas com algumas aprendizagens. É garota, você um dia se virá mulher por ter se tornado uma, pois vai entender que é algo muito maior que os estereótipos de feminilidade e quando se deparar com isso perceberá que o desabrochar será natural. E, compartilho uma aprendizagem de um dia desses de 2014, não existe nada mais bonito que o desabrochar! O seu ainda está em andamento, talvez a cada estação desabrochemos de um jeito, mas perceber essa beleza fará você olhar os outros e o mundo de uma outra forma.

Pequena, já me estendi de mais nessa carta-conselho-conforto . Só quero que saiba que não importa como você estava se sentindo antes ou como você poderá vir a se sentir depois. Tenho orgulho de cada passo mal feito nosso, pois foram eles que me fizeram chegar aqui sabendo que se eu pudesse algum dia voltar ao seu lugar eu teria mudado algumas coisas e por isso te aconselho. Pode ter ficado confusa essa parte, mas é isso mesmo. Tenho orgulho de termos chegado até aqui e de saber que se pudesse voltar atrás teria feito coisas diferentes, pois isso sim é sinal de que se aprendeu com os erros. Estamos no final de uma fase importante que é a faculdade, mas estamos no meio de um processo difícil de crescimento que é preciso muito fé em si mesmo e nos seus sonhos. E não quero que se sinta tão pequena, um dia essa fase oscilante entre uma nebulosidade quase eterna dentro de você e nas cores vibrantes do mundo externo com as quais você brinca, essa fase será recompensada. E te fará sentir o que senti hoje ao escrever tudo isso: tristeza e conforto. Pois lembrar de tantos temporais internos quando se está a alguns anos de distância deles é triste, mas saber que o temporais foram se transformando em arco-íris maravilhosos é confortante. E feliz. Então não temas pelo teu hoje, você é um  botão que ainda nem sabe a flor que será ao desabrochar. Apenas confie em mim, em ti e sorria.




Créditos da ideia da postagem ao blog: Hypeness .
Blogagem coletiva do projeto ROTAROOTS. :)

segunda-feira, 10 de março de 2014

Pelas contradições.

Talvez a alma seja maior que  o corpo.
Talvez os encontros sejam maiores do que nossa disponibilidade de  tempo.
Talvez o tempo seja maior que o sossego.

Aonde era estranho fez-se abrigo.
Aonde era abismo, fez- abrigo.
Aonde era sorriso, já era abrigo.

Na diferença interseção, diálogo e troca igualitária.
Das estradas percorridas: quilometragem diferentes.
E respeito independente do ponto de partida, do ponto de encontro.

"Terminar pelo começo".

Talvez seja mais bonito.
Talvez seja mais honesto.
Talvez seja só a vida agindo.

"Lidar com a finitude das coisas."

Jon Green diria que alguns infinitos são maiores que outros.
Eu nego.
Eles coexistem em toda sua plenitude.
Trocam, se misturam, se confundem.

Pela tristeza que se é eternizar o momento assim como ele é: feliz.
Pois no "ser" ainda que conjugado cabe o atemporal e a essência do que se é.
E é.
E somos.
Felizes.

domingo, 16 de fevereiro de 2014



Eu queria apagar o mundo.
Deixar todos no escuro.
Tocando uma música lenta de fundo.
Quem sabe assim não dormissem- chega de murmúrios.

Queria reciclar ideias, principalmente pessoas.
Não precisar mais lutar contra o cansaço dessa gente que parece não saber o que diz.
Queria encontrar refúgio, queria poder circular dentro e fora.
sair desse coma profundo
que tanto me apavora.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

2013: Acho que fiquei meio vândala.



 Gosto de fazer aniversário no fim do ano (20/12) sempre sinto meu ciclo de vida anual se finalizando em sincronia com o calendário, às vezes não é bem assim mas eu gosto de pensar sempre positivamente. rs Completados 22 anos esse ano completei uma fase minha que entendi com uma fase a La Juscelino Kubtschek: amadurecendo 50 anos em 5, e vim nesse ritmo desde 2009 quando tinha 17. Lá atrás no início de tudo eu não tinha noção de como os próximos 5 anos seriam e na verdade eu só tinha uma ânsia e um buraco muito grande que eu queria preencher com a vida, mais e mais poder me alimentar e energizar com a vida, com viver. Entrei em namoro, saí de namoro. Entrei em colégio, saí de colégio. Entrei na faculdade, fiz amigos, conheci lugares, culturas, mundos, militâncias, artes. Sim minha fase JK me fez mudar de opinião, me fez descobrir coisas sobre mim que ninguém imaginava, eu que sempre tive tanta certeza de cada linha da palma da minha mão de repente eu me perguntei "que mão é essa?", me vi com outros caminhos inimagináveis e minha mão aparentemente nova se tornou bem mais interessante. Durante esse tempo eu perdi o controle, a Bárbara racional e sempre atenta e perceptiva não percebeu que tudo que passou desde de 2009 me transformaria na mulher que sou hoje. E meu complexo de achar que tinha parado nos 13 anos, apesar de toda ranzinzice (hehe), passou! Parece besteira, mas a gente não percebe mesmo que cada lágrimas, cada riso, cada besteira, cada grito nos compõe como numa obra de arte inacabada e contemporânea, dessas que enaltece e respeita o imperfeito. Cada gostar foi importante, cada relacionar foi importante. Cada laço, cada nó, cada desembaraço, cada partida e cada chegada. Hoje eu sinto de verdade que os clichês valem a pena, e que envelhecer é amadurecer, por mais que pareça que não, por mais que não se sinta vivendo tão plenamente, tão profundamente. TODAS as experiências nos edificam de alguma forma! E 2013 foi o fechamento dessa fase JK e aquele buraco HOJE só HOJE, digo me referindo ao final do ano de 2013, eu consegui compreender melhor esse e sentir ele preencher de alguma forma. Mas o processo foi difícil e há alguns anos eu tinha essa vontade como algo estranhamente distante, como se viver por mais que estivesse sendo verdadeiro e bom, estaria sendo de alguma maneira superficial. E o buraco ficava sempre lá, eu me angustiava até por achar que nunca conseguiria suprir essa necessidade de algo que eu nem sabia o que era, só sabia que faltava algo muito grande na minha vida, em mim. Eu tinha vontade de sentir a vida pulsando de verdade, circulando nas veias a mil por hora e alguns textos antigos mostram essa sede eterna de viver e a angustia de nunca se sentir plenamente viva, aproveitando de verdade a vida.

 Mas esse processo de compreensão do buraco, dessa vontade incansável marca outra fase que foi iniciada nesse ano de 2013 é o que de fato regeu meu ano. Dizem que 21 recomeça um novo ciclo de amadurecimento, é o momento pensar em alguma escolhas e buscar os caminhos que você quer seguir. E esse ano foi o ano de seguir meus sonhos, foi o ano buscar quem eu sou depois de tudo já vivido e pensar em como buscar quem eu quero ser. Esse ano foi o meu ano, o ano que eu acho que sempre esperei por que foi o ano que eu dediquei a mim, as minhas vontades, aos meus ideais, as minhas necessidades. Esse ano eu conheci tanta gente que chega meu coração acelera, conheci tantas outras realidades, tantos outros pensamentos. O teatro foi o maior presente que Deus permitiu que eu me desse. Passar para o Nossa senhora do Teatro foi, apesar de todas correria, estresse e sentimentos confusos- foi de longe a coisa mais linda que me aconteceu! A imersão teatral que tivemos que vivenciar foi de longe a  vivência mais linda que eu tive! E justamente quando eu estava desesperançosa com as pessoas e comigo, com a minha capacidade de renovação de sentimentos, e de recuperação de um olhar convidativo ao outro eu conheci tanta gente linda, esbarrei com cada sorriso e conheci uma energia que até então estava só no meu ideário de "mundo perfeito". E eu me lembro de que no primeiro dia útil no pós-imersão eu senti uma falta tão grande de dar bom dia as pessoas sorrindo sem precisar ter razão ou intimidade prévia, queria cantar "Bom dia sol, bom dia luz" e as pessoas do cotidiano pareciam simplesmente não se importar e eu quase chorei, mesmo. Era uma falta tão grande de estar com todo mundo e ao mesmo tempo estar comigo mesma sozinha e em paz. Eu só tenho a agradecer pelos momentos lindos, pelas pessoas lindas que o teatro me trouxe. E agradecer por fazer tão parte de mim, agradecer por eu ter descoberto que eu sou muito mais teatro do que pensava. É intrigante, pois de início eu queria dar nesse ano mais atenção a espiritualidade e passar e conhecer melhor alguma religião, mas acabou que não consegui adiar mais o teatro e fui para ele. Mas hoje depois de tudo eu constatei que foi a atitude mais em prol da minha espiritualidade eu podia fazer, pois estar naquela sala, subir naquele palco mesmo que discordasse de diversas coisas me completava de uma maneira quase transcendental. Era uma sintonia e uma conexão tão grande que eu tive no palco que eu me descobri parte pulsante da energia que faz o teatro. E conhecer gente que pulsa arte, que tem aquele brilho nos olhos esperado por todos os amantes verdadeiros foi simplesmente fundamental para que acreditasse ainda mais no que para muitos é "utopia" ou "brincadeira". Concluí por fim, não só um curso, mas um ano de muitos encontros sonhos, de muita troca de conhecimento de brilho nos olhos de amor, sim amor esse que eu levanto a bandeira sempre por ser o maior de todos entre todos os seres humanos, entre todos os nossos irmãos. E quando você descobre o teatro também como uma religião você descobre outra maneira de se conectar com Deus. 

Alimentado bem o espírito com o teatro outro ponto fundamental dessa loucura que chamo convencionalmente de ano 2013 eu alimentei também minhas utopias, meus ideais, minha vontade de mudança. Nesse ano senti cada vez mais na pele que cada atitude por mais simples que fosse sobre mim mesma parecia uma teimosia, uma afronta ao outro, ao normatizado. E quando me vi eu era feminista só por querer ser eu mesma. Os outros me viam feminista antes de mim. E eu já não aguentava mais os comentários que tinham implícita a ideia de que não há problema nenhum em se meter nos meus pelos, no meu estilo, no meu cabelo, no meu jeito, no meu batom ou na falta dele. Afinal é "só um comentário." Um comentário que quer demarcar que meu cabelo não está tão bom quanto o que o outro acredita ser, um comentário que vem sempre com um tom de crítica, de que você não pode agir sobre você mesma, como se não fosse normal e saudável eu querer me respeitar e me admitir em todos os aspectos, mesmo que isso signifique ter facetas bem diferentes do esperado. Descobri esse ano que sair de casa é um ato revolucionário, põe em questão vários preconceitos e insegurança que cada um tem guardado, inclusive eu mesma. Esse ano, fui às ruas, aprendi sobre o que é estar na rua e o que é militar pelo que acredita- independente do que seja, mas aprendi mais ainda sobre o que não é política, nem ser politizado. Aprendi que por mais que estejam muitos "acéfalos" na rua misturados a alguns cidadãos que sabem o que querem política e socialmente ainda é melhor do que os manterem em casa assistindo a programação que os deixa ainda mais apáticos. Afirmo isso, pois foi na rua que me senti extremamente pequena diante daqueles que vivem a política, vivem a militância, e tem muita gente há muito tempo na luta e sim eles conseguem algumas conquistas que você não irá ver nos jornais. Foi na rua que me vi também tendo que explicar o que foi a Guerra Fria e o que é o capitalismo e socialismo – e me questionei inclusive se eu sabia mesmo o que essas ideologias são, e tendo que explicar para a pessoa que ela não é burra que ela é provavelmente reflexo de uma sociedade desigual. Foram a partir desses choques que aprendi na marra que é importante participar, pois coisas aleatórias e muito enriquecedoras acontecem. Eu me senti desde muito pequena e infantil até professora e exercitando toda minha pedagogia em plena manifestação na Pres. Vargas. E foram esses momentos que me instigaram a estudar mais, a ler mais, a trocar mais e a querer mais a rua, as praças, as pessoas. Vivi esse ano algumas desconfianças e pensamentos antigos que vinha desenvolvendo a partir de reflexões e conversas informais. Comprovei e choquei - digo isso do lugar de quem se achava até bem espertinha e com consciência social- que não temos noção de 1% da realidade e que se prender nas derrotas passada pela televisão só vai nos tornar ainda mais desarticulados quanto unidade, não vai permitir aproximar os iguais, ou semelhantes.  Atestei também que a grande- talvez a maior- sacada mídia seja a nossa desarticulação, mas também o alimento constante ao nosso desencanto com a política, com as pessoas, com a vida. A segurança deles é o nosso pessimismo, a nossa falta de fé, de coragem, de vontade. Senti na pele que sair da inércia é o maior desafio, mas que não se pode abater quando se têm objetivos e ideais. E que é na vida que aprendemos sobre amor, solidariedade, união, luta, conquista, vistoria, heróis, bandidos e pessoas. E através das poucas experiências nas ruas, mas das muitas experiências trocadas via a sacra internet e encontros com mais gente linda que pude conhecer e me aproximar, meu vazio foi perdendo ainda mais espaço para os sonhos, para a vontade, a energia.

De toda minha experiência de 2013 posso concluir pela mídia e por aqueles em que fui me espelhando e trocando através da empatia: virei vândala. E que 2014 seja só vitória, só amor, só filosofia, só  poesia, só aprendizagem e muito vandalismo.


Ps.: Demorou mas se concluiu! Sobre um 2013 nem tão distante assim. ;)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Não entendem.

Não entendem quando não é justiça. Não entendem quando é. Não entendem o que é terreno e egoísta, pensam que entendem quando o outro é. Não entendem quando é amor, nem quando não é. Não entendem o que é conversa. Não entendem o que é reclamação. Não entendem o que é relação. Não entendem o que é compromisso. Não entendem o respeito como princípio básico e redentor. Mas entendem o medo como necessidade natural. Não entendem quando eu digo "pode confiar". Não entendem quando eu fico. Não entendem quando eu vou. Não entendem o que é ser humano. Não entendem o que é direito. Não entendem o que é privilégio. Não entendem o que é igualdade- por mais que a preguem. Não entendem que é preciso redenção- nem que é possível. Não entendem que antes e depois de sermos homens e mulheres somos seres humanos - então foda-se. Não entendem que o princípio da liberdade de expressão é a própria liberdade então não se pode usá-la com fundamentos preconceituosos nem para incitar, apoiar qualquer tipo de violência. Não entendem que toda ciência serve a um interesse, e que você não é obrigado a compactuar com ele. Não entendem que naturalizar os fatos não te faz menos culpado pela realidade. Não entendem que gritar nem sempre ajuda, mas que às vezes é necessário. Não entendem que não se pode simplesmente deixar as coisas para trás. Não entendem a diferença entre porta entreaberta, porta fechada e porta escancarada. Não entendem que é sempre bom bater antes de entrar. Não entendem que fazer escolhas é ter de lidar com as consequências, e nem por isso decisão deve ser sinônimo de prisão senão de responsabilidade. Não entendem quando falo em quebra de correntes. Não entendem que o corpo é meu e que é de extrema educação não se meter no que diz respeito a ele. Não entendem que sou capaz de responder pelos meus atos. Não entendem que estou lúcida diante as minhas escolhas. Não entendem que viver é conviver com o que foi vivido. Não entendem quando "don't you ever say " I just walked away" I will always want you". Não entendem quando buscar sua felicidade não devia ofendera felicidade de ninguém. Não entendem quando estudo e busco minha formação para a mudança e não a manutenção das coisas. Não entendem quando ser crítico não é falar mal. Não entendem quando o amor não é responsável por 90% do que dizem/fazem em nome dele. Não entendem que eu posso na maioria das vezes entender. Não entendem que não me entendem. Não entendem, que eu também não sou nem quero ser quem sempre entende. Não entendem e eu também não entendo.

"Para eles você ainda não é maduro o bastante." Incompreendido. Flávio XL.