quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dos gostares

Gosto do sol e da praia.
Gosto de brisa e das ventanias descabidas.
Gosto da manhã preguiçosa e do fim de tarde igual.

Aprendi a gostar da chuva, e do seu barulho quase aconchegante.
Mas aconchegante mesmo é a música e a companhia.
Que pode ser escolhida por você mesmo e que pode ser a ti mesmo.
Aprendi a gostar pelo fascínio que me ocorre ao notar as gotas na janela,
a paisagem distorcida, as cores presas em cada pequena gota.
É o mundo grande refletido, recriado em cada pequeno mundo de água,
da lágrima divina, completando seu ciclo  caindo por terra mas por todos nós.

Aprendi a gostar dos dia nublados e dos cinzentos também.
Fui gostando e me apegando cada vez mais a esse jeito meio sinestésico de ser.
As cores desbotadas, o mar às vezes turvo a blusa de flanela e aquela tristeza bonita.
Aquela melancolia que vem de mansinho e te deixa quieto o suficiente pra se conhecer ainda mais.
São os dias dos silêncios, por mais barulhentos que sejam.
São os dias da introspecção, do olhar pra dentro, do dormir só para curtir o sonho que poderá vir.
São dias de lembrar os dias ensolarados e esperar os dias chuvosos, feliz e esperançosa.

Gosto da cachoeira e do calor.
Gosto de rede e de mormaço.
Gosto da noite agitada e do corpo igual.

Mas gosto mesmo da vida calmaria, sem pressa do que virá.
Cada segundo importa, cada segundo se morre e se vive.
De amor e por amor, melhor assim.