domingo, 25 de agosto de 2013

O que não sei dizer.

De repente surge um


                  hiato.


Hiato quase poético.
Quase bonito.
Quase feliz.

Na maresia trazida pelos pensamentos
eis que surge um


hiato


.

Desculpa não sei dizer.
Não sei como explicar.
O que se diz sobre um vazio bem no meio de algo que você nem sabe o que é?
Imagina:
Uma confusão.
Tudo embaçado, leve, mas embaçado.
De repente...

O que?


Hiato.


Como se fala sobre isso?
Como se pensa sobre isso?
O que é isso?

E de repente você pensa:
"Que me devolva inteira."
Quero voltar inteira.

E tem como voltar menor?
E tem como sair menor de um encontro?
E tem como sair menor de um vazio?

E meu hiato assim se preencheu.
Continuou sendo um hiato.
Mas agora eu nem reparava mais que em volta estava tudo embaçado.

sábado, 17 de agosto de 2013

De Deus


Tem dor que a gente não entende. Tem dor que a gente nem sabe que sente.
Tem dor que parece que espera a gente cair. Tem dor que parece que espera a gente levantar.
Tem dor que fortalece nossa alegria. Tem dor que apaga toda alegria vivida. Tem dor que te impulsiona. Tem dor que te para. Tem dor. Tem tanta dor. Por quê? Ainda que sorriamos e estivermos felizes tem dor que não respeita isso. Tem dor que que parece tortura Nazista, aquele pequena gota caindo no centro da testa sem parar e você ali todo amarrado sem poder fazer nada. Essas dores são imbecis, são frutos de situações tão mesquinhas que não é fácil acreditar que ainda consigamos senti-la. E quando a gente acha que não chorou o suficiente? Quando tem a sensação de que não sofreu o suficiente? "Deixa estar" até quando? A gente vive,de um jeito ou  de outra a gente vive. Você vai encontrar outras pessoas, vai sorrir, vai até amar o mundo, os outros, a vida. Mas a dor sempre arruma um jeito de se fazer presente.Até quem realmente exercita o desapego e vai vivendo outros ares para si mesmo, por que merece, por que precisa, por que amar a vida é seu maior amor... De repente ela vem. Tem dor que faz questão de ser inconveniente, de ser inútil assim como quem a incitou. A gente tenta avançar e fica feliz de verdade, se sente no caminho certo e de repente se olha no espelho e vê no reflexo a rachadura feita pelo outro. Você sabe que não te pertence, sabe que está no espelho, no reflexo, no que não é você e ainda assim dói. Parece loucura algo tão ridículo doer. E você se sente batendo com dedo mindinho na quina da cama. É ridículo, mas dói.  E despertamos o nosso lado ridículo o qual venho descobrindo e o valorizando mais ultimamente. E todos doem por alguma coisa. Aquele que quer fazer da sua felicidade vitrine na verdade só quer disfarçar a dor de saber a verdade, de não se reconhecer na felicidade singela e espontânea que gostaria. Aí inventa essas felicidades interpretadas, cria o personagem feliz, forte, confiante e de fora pra dentro se força a ser assim.Mas sofre, mas sente a dor de não se reconhecer nas fotos, nos sorrisos forçados, no ideal de sonho, de vida que ele mesmo inventou. Um dor pode ser o suficiente para entristecer uma vida. E ainda assim a escolha é nossa, sofrer é opcional, ainda que ela venha... que ela insista... A gente vira a cara e deixa ela falando sozinha, igual gente inconveniente que só fala merda. Deixar a dor pra si mesma e buscar nela uma maneira de lidar com os motivos pelos quais ela ainda dói. O resto? Deixa na mão de quem sabe.

""Pois é, não deu
Deixa assim como está, sereno
Pois é, de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
Avisa que é de se entregar o viver."

:)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Democracia forjada


      O que eu mais detesto na nossa democracia é essa bendita liberdade que inventaram para nós. Liberdade vigiada, dissimulada, hipócrita. Democracia hipócrita. As vitrines nos mostram um coisa: nossa liberdade de escolha nos leva para o mesmo lugar, para o mesmo padrão, para a mesma estética, para aquilo que eles escolheram como o ideal. Tantas lojas com o mesmo estilo, com a mesma cara. Inventaram que a diferença está nos detalhes para disfarçarem nossa tremenda igualdade, igualdade não mesmidade. Somos falsamente os mesmos, temos gostos diferentes, vivências diferentes, temos culturas diferentes, temos visões de mundo diferentes, temos um reconhecimento social diferente (inclusive por aqueles que elegeram o tal padrão). E em meio a tanta diferença quiseram que buscássemos a “igualdade”, essa “igualdade” também forjada para disfarçar toda injustiça causada pelas nossas diferenças reais, mas para amenizarem o estrago que eles mesmos causam nos dão como paliativo o tal “poder de escolha”. Não sei como as pessoas não acham ridículo. Por que é sim, bem ridículo de tão cara-de-pau. Se buscamos um pouco mais de nós mesmos em algo, se optamos por seguir nossos princípios até o fim, se levamos nossos valores diferentes daqueles pregados de maneira interesseira a todos os lugares e situações somos radicais. Por que o ponderado é o ideal. Mas esse ideal me parece tão leviano, flexível o suficiente para se deixar levar pelas circunstâncias sem perceber que pode inclusive estar indo contra o que acredita, ao que defende, ir contra a si mesmo. Nossa liberdade serve a penas para escolheremos aquilo melhor lhes convém, pois são eles que nos dão as opções. Mas se optarmos por algo realmente melhor para nós, para o coletivo somos estranhos, extremistas, sonhadores, inocentes e por aí vai...
         Essa é nossa democracia inventada, forjada para cacete que nos armou direitinho nossa arapuca para acreditarmos nessa tal “liberdade”. Nos venderam valores e princípios que servem exatamente para eles, para eles se alimentarem do sistema através de nós. E eu não aguento mais isso. Enquanto eu puder, quanto mais eu souber eu vou fugir disso.Fugir de tudo para buscar a mim mesmo, meus valores, minhas marcas, meu rosto, minha crença,minha essência.E ter o direito de levá-las aonde eu quiser, sem ofender a liberdade alheia claro. Privado e público definidos, mas eu serei por inteira. Pois esse negócio de ser neutro é para quem não sabe o que é de verdade e ainda dá fora para a maioria opressora em qualquer nível/situação. Quero minha liberdade respeitada culturalmente, socialmente, politicamente. Chega de hipocrisia e falso moralismo! Democracia pra quem?
(10/08/2013 ; 00h20)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Pra alegrar o meu dia

Vem me ver sol, vem! Enquanto ele não vem, teu calor talvez consiga amenizar esse frio aqui dentro de mim.
É o frio que se foi do calor que vinha de um fogo que era de palha. Quem podia imaginar? Eu não podia.
Me ajuda a sorrir mais do que já venho sorrindo.Quem  disse que nossa bateria não se recarrega com energia solar? A minha eu sei que sim. Então vem.Apareça.Quero te sentir nos braços, como meu eterno companheiro, apaixonada por ti sempre. Num lugar quase sempre de pessoas e corações cinzentos tu é Rei.Seja Rei, seja tudo, mas seja, por favor, seja. Mas venha. Ilumine, aqueça, sue, ame. Toque as pessoas, talvez elas só precisam ser tocadas por alguém puro, e eu agora só confio em ti. Em ti por que és natural, por que és real, por que tua intensidade é sincera de mais, por que está sempre aí, nos guiando de um jeito ou de outro. Nos ajudando a passar os dias e os anos. Sem você calendário pára e a vida fica impossível. Cientificamente impossível. Poeticamente vazia, intragável.Sou solar, sempre fui. Tu és astro rei, eu sou seguidora, admiradora, sonhadora. Brilha para nós e POR nós. Meu suor que transborda é a resposta da tua presença. Enquanto aquele não vem, venha você. Mas bem que eu queria ele assim como quase me veio: despretensioso, desarmado, espontâneo, forte como a tua presença. Sou de fogo, sou de sagitário, sou solar como já disse. E não posso deixar que os dias passem frios, ainda mais na sua presença. Obrigada por me ajudar a continuar escrevendo sempre, assim como escrevi uma música estudando matemática na sétima série, eu me lembro que tinha um rastro seu lá. Ah... Sou tão grata a você, por simplesmente existir e permitir que tudo isso exista. Sabes que estou bem, sei que não se preocupas. Quando me tocas te sorrio com toda paz e luz que pode existir, não sei por que, só sei que é assim. Confia em mim por que confia na tua própria força, e sabe aqueles que contigo se identificam não tem de ter a mesma energia, a mesma força e luz. Ao menos que busque isso. Foi também contigo que aprendi que "A poesia prevalece". Mas meu caro, eu repito enquanto ele não bagunçar meus dias, minha rotina e minha cabeça, venha você me confortar, aquecer, bronzear e enobrecer. Enquanto ele não se decide , enquanto ele não vier tranquilo e confiante, venha você me ver. Para alegrar o meu dia.
:)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Tempestade de pensamentos


          Eu gosto de tempestades e ventanias. Tenho medo do pós, do estrago, das pessoas, do que resta.Mas ao que resta eu rezo.E de resto eu me entrego. O brinquedo preferido da pracinha era o balanço, estar lá em cima pronta para despencar, e balançar e balançar...Eu estava sempre no controle e o vento cada vez mais forte. E fazia mais força e ia mais alto, mais forte e mais alto e mais vento. Rir daquela bagunça alastrada pelo vento, até o frio era feliz, eram indícios de que a menina ia gostar do que devasta. A decepção talvez seja o maior tombo, mas já me era sabido que nos enganamos o tempo todo para arriscarmos algo que te dá inúmeros indícios de que não vai dar certo. A gente paga pra ver, a vida é assim. A gente fica suscetível  a qualquer bobagem que nos diga para ficar, quando na verdade sabemos que de certo é a hora de partir, ou pior de nem começar. E ficamos. MAS ficamos. E assumimos o risco doentio de não ser feliz, ou pior de construir e alimentar sua própria decepção, sua própria infelicidade. Deixar minha racionalidade para arriscar o futuro, -não suspira, isso não é romântico é burrice. Não é medo do amor, nem dos relacionamentos, ou sei-lá-do-que, é apenas previsibilidade e sim as pessoas são previsíveis, não se engane. Mas nós somos conquistados por essa ideia que nos venderam de "destino", de "instante", de "romance"... E tantas outras tolices sobre o amor que nos foram vendidas... Sim vendidas.Por que nesse sistema queridos, o romance dá muito dinheiro, ouso afirma até que existe uma "indústria do amor", pronta para te vender falsas ideias, te alimentar com essas ilusões, te vendem livros, filmes, roupas, adereços, restaurantes, mimos, te mostram tudo isso, enchem sua cabecinha de ideias e esperam você cair na realidade e descobrir que o amor não é nada disso, e que ninguém sabe o que é. Mas calma que eles não são assim tão cruéis até por que se fossem não seriam tão vitoriosos nessa arte de ludibriar, eles te vendem o problema, a angústia, a carência, mas é claro que eles te vendem a solução, o  prazer da liberdade, o novo amor, a nova redenção. E eles vivem disso, de inventar problemas e soluções pois assim eles ganham dos dois jeitos. E você?
               Pois é...Comecei falando das ventanias e tempestades... Conheci o pior sentimento que se poderia sentir por alguém, por que pela primeira vez conheci a decepção. E a gente sabe que por mais que achemos que saibamos alguma coisa a gente sempre ouve as vozes internas erradas, os conselhos errados e por mais que sejamos prudentes somo humanos o suficientes para sermos tolos. E, hoje, eu entendo que viver é isso: assumir sua tolice. Deixa devastar, por mais que doa, por mais que você diferente de mim não goste do vento forte nem de tempestades, você precisa deixar as coisas partirem. Depois que as coisas foram feitas é deixar a vida se encarregar do resto! Todos nós precisamos aprender de verdade com as nossas experiências e com a dos outros, as pessoas precisam parar de inventar que "agora dessa vez vai dar certo", cara não vai. E se der certo vai dar de qualquer jeito então relaxa, vai viver sua vida de verdade construir sua independência emocional, financeira para não se sentir menor sem ter alguém, para não ficar tão vulnerável a essa indústria dos apaixonados por dinheiro, que vai fazer você comprar as ilusões e os antídotos contra as desilusões também. Busque sua autonomia de verdade, e não se iluda nossa época não é mais propícia a pessoas autônomas e independentes, mas está muito mais propicia a pessoas que estão iludidas em serem assim. Mas não desanime se concentra no teu melhor, ouça quem realmente te ama e sabe que quer seu bem, e busque manter-se limpo. Limpo de rancores, limpo de ideias levianas, limpo de coração, limpo de mente, limpo de espírito. Limpo para si, para ser capaz de viver uma vida plena, que inclui saber aceitar que haverá diversos altos e baixos e toda pitada de loucura plausível entre nós mortais. Por que somos assim humanos tolos, mas não precisamos nem devemos ser capacho de ninguém, nem de falso amor, nem de indústria, nem de bobagem alguma. De gente leviana e interesseira corre, mas corre mesmo. Por que o perigo é maior do que se pensa, é tão grande que muitos deles não tem a mínima noção de que são assim e vestem mesmo a carapuça do bonzinho e do sincero. Coitados, foram comprados por essa indústria também. Então não se engane, a cada nascer do dia se encare no espelho e pense em que tipo de pessoa você quer ser, pense na essência, no interior, e observe o que te impede de ser o que se quer e principalmente de ser o melhor de si. E busque a si mesmo todos os dias, ainda que você fuja, ainda que você esqueça, ainda que o furacão apareça. Busque-se por que no fim das contas você só terá a você mesmo antes de dormir, você só terá você para responder pela sua consciência, pelos sonhos frustrados, pelos erros e acertos. Cuide-se, por que é melhor ter uma boa relação com quem realmente você passará a vida inteira junto. Ou procure se recuperar o mais rápido possível das tempestades, ou faça como eu: busque aproveitar cada momento da devastação por que reconstruir-se é bem melhor!