sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Que seja livre.

Me dispus a viajar e fui.
Queria estar entre as nuvens e fui.
De lá de cima eu precisava de outros sonhos.
E lá em baixo as pessoas tinham rostos medonhos.

Que seja livre...

Passei por décadas em segundos,
pensei em todas a mulheres que já sofreram no mundo.
Perdi sonhos e fiz sonhar.
Entendi:Para se encarar no espelho é preciso se respeitar.


Que seja livre.

Aos sete ventos pedi.
Aos sete ventos berrei.
E de todos que me ouviram,
dos passarinhos mais gostei.

Que seja livre!

Cansada de caras torcidas,
piadas ofensivas,
e violência assumida.
É preciso dar voz a quem sempre foi educada a se calar.

Que seja livre?

Se preparem pois precisamos falar,
nossa liberdade vem primeiro a engatinhar.
Precisamos correr, ou mais depressa andar.
Que seja de cima de um balão, mas nós mulheres temos que nos emancipar.

QUE SEJA LIVRE!

Liberdade não é poder escolher,
é saber por que escolheu
e lidar com isso.
Livre desse jeito?Que sonho, deus meu...

Que seja livre.

Desce do balão sonhadora,
que teu mundo lá em baixo espera pela tua força.
Madalena, seja firme, os olhares a ti poderão ser de impostora.
Encare as pessoas, as piadas, as ofensas e o preconceito.
Ninguém disse que seria fácil.

Desce, sonhadora.
Que já está na hora de viver com os que daqui parecem pequenos.
Respira esse ar como uma fonte límpida de energia e vai.
Vai e chama mais gente contigo, que nosso caminho precisa ser demarcado.
Que muitos já morreram e sofreram para nós podermos estar aonde estamos.
E precisamos retribuir toda luta, todo sonho, todo amor.

Que seja livre.

E foi.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sonho e areia.


Coeur de Pirate me inspira.Comme des enfants me inspira sempre.Queria escrever hoje. Não sabia o que, nada nada nada.Esses dias foram chatos, desanimadores, entendiantes e principalmente desesperadores.Mas por algum motivo quis falar de sonhos e areia.Assim do nada, me vieram as palavras soltas e pedindo para serem escritas e logo depois quando me vi já estava com minha canção-musa-inspiradora entrando pelos ouvidos e movimentando meus dedos.Mas dessa vez não falei sobre meu estranho jeito de gostar das pessoas, essa coisa bem "Coeur de pirate" que me encanta, dessa vez escolhi sonho e areia.Não, me retificando: acho que fui escolhida.Talvez tenha sido o piano da música que me lambra fim de tarde, que me lembra por-do-sol, que me lembra acampamento na praia.O sonho talvez seja meu inconsciente me lembrando que há ainda muito a se fazer, a se crer.Será?-Nesses dias tão estranhos fica poeira se encondendo pelos cantos-e eu só consigo pensar nisso.
Como uma criança que vê o mar pela primneira vez, os sonhos talvez tenham o tamanho da imaginação ainda fresca, ainda solta, ainda querendo se alimentar de tudo: ar, sol, verde, céu, chão, flor...Tudo dá asas para quem só quer voar.Mas isso é quando se é criança, é quando o trabalho de "moldar", "educar", "socializar" ainda está começando devagarzinho...Quando se cresce, se cresce o medo, as frustrações, as confusões, a barreiras loucas que inventamos para nós mesmos e como areia vemos os sonhos escorrendo por entre os dedos.Não é que a areia esteja assim tão fininha incapaz de se segurar, muitas vezes nós mesmo nessa eterna mania de se auto-sabotar em algum descuido, em algum momento de insensatez abrimos de mais a mão.Esquecemos que areia para ser mais fácil de se segurar pode misturar com água, é preciso fortalecer as ligações entre os grãos, e em alguam medida é preciso embrutecer, é preciso transformar o que é solto e frágil em uma unidade forte e conciza.É preciso dar forma ao que não quer  estar sobre controle, ao que quer escapar.Se não quiser ver os sonhos escorrendo como areia, é preciso um pouco de força, de mistura, de forma para torná-lo realidade.Para os mais sonhadores, aqueles convíctos não é preciso nada disso, pois o que se controla  se limita, e perde a propriedade mais bonita do sonho: ser o que quiser, sem condições, sem restrições.Sonhos precisam ser sonhados, precisam escapar vezenquando, precisam ser soltos, precisam voar quando o vento bater.A realidade é muito dura, é muito fechada, quando jogadas em alguém asism com a areia molhada, pode machucar.É, falando assim não reolvo em nada meu problema.Talvez nem sej aum problema, ou talvez não esteja na hora de resolvê-lo.
E não mais como uma criança, eu olho para areia escorrendo, o vento batendo e não solto mais aquela gargalhada boba.Assim como tempo nos deixa pra trás, é bem triste ver os sonhos escapando também.Embora em algum sentido, essa seja a forma mais pura deles: escapando livres e desprendidos.