quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Diário de bordo

    Tenho andado longe da escrita ultimamente.Quis escrever assim que  voltei, mas foi tão estranho.Era como su eu não estivesse nem aqui e nem lá, estava num tempo em suspensão, entende?Como se a relação espaço/tempo tivesse lenta e complicada de mais para mim, isso quando eu a percebia.Estava fora do ar.Por mais que não tenha escrito nada ainda, o que não marquei no caderno ou aqui com certeza marquei na alma e no coração.E essa foi a foto na estrada a caminho de Araraquara, cidade de são paulo que me recebeu e acolheu por 15 dias.
    O que eu posso dizer?Obrigada.
    Nunca me senti tão parte da estrada, do caminho e da nova cidade.Como fui sozinha daqui do Rio para lá, foi uma experiência um tanto quanto única e pessoal.Sempre quis viajar sozinha, porém dirigindo mas esse foi o primeiro passo.Estar ali sozinha e ansiosa sendo recebida por um sol abençoado já me fez ter certeza que valeria muito apena passar por 1hora de vôo, 3hs de espera e mais 2h30 de estrada.E se realmente valeu?
    Valeu tanto que a única vez que sentir real dor em partir foi quando voltava para casa.Nem sei se consigo explicar, fazia tanto tempo que não me sentia tão livre e a vontade em conhecer algo novo.Eu me abri para cidade, eu quis conhecâ-la de verdade. E para mim conhecer de verdade significa conhecer as pessoas que moram ali, o que fazem, como fazem, como falam.Falando assim parece até outro país, mas era logo ali.Não era tão diferente daqui mas era mais simples e encantador, uma cidade que te convida para ficar.
Como a tia do sorvete, que faz o sorvete caseiro mais maravilhoso que eu já comi na vida.Os meninos da Saudosa (República) que animaram nosso primeiro fim de semana com um sambinha esperto.O pessoal do grupo de pesquisa da Paula Ramos(Unesp) que foram super abertos e fofos conosco.A Escola Municipal de Dança que é simplesmente um sonho, em que crianças de escolas públicas e de baixa renda entram com 8/9 anos e saem com 14/15 ficam no contra-turno lá tendo aulas de: ballet, sapateado, capoeira, artes plásticas, teatro, internet e oficia de produção de texto.Fazem tudo isso tanto as meninas como os meninos também.Tudo isso sem as pressão da escola regular, é uma escola de arte, feita simplesmente pela arte e nada mais.A escola municipal Safiotti que mesmo sendo de uma área extremamente complicada por conta da violência, as crianças me surpreenderam de mais por serem, mesmo com tanto problemas, crianças.Crianças que guardam ainda certa ingenuidade no olhar, certa pureza no coração, senti como se houvesse uma proteção direta sobre eles, sabe?
   Como também os shows de reggae no Sesc que foram todos perfeitos, toda vez que lembro me dá uma vontade enorme de voltar no tempo, meu coração fica agitado ao mesmo tempo em que se acalma por saber que tudo foi real e bem vivido.Teve o Alamanaque, um barzinho meio boate, em que assistimos a dois shows de rock impressionantes, até bebi cerveja no auge da minha empolgação.A Esquina da Esfiha, um restaurante(?) lindo onde experimentei kibe cru e me apaixonei.Para fechar com chave de ouro teve o churrasco dos Cem dias (pra formatura).Foi maluco, intenso e apaixonante.
   Cada segundo a mais que eu passava era um motivo a mais para ficar de vez.As pessoas algumas tão interessantes que dá vontade de trazer na mala, ou então de vencer a vergonha e pedir facebook, email essas tecnologias que nos ajudam e sentir menos a distância.Na euforia de primeira vez, não quis assustar ninguém com minhas maluquices de viajante, de turista.Uma penas, pois se não fosse isso talvez tivesse conversado mais com quem queria ouvido mais história, e contado as minhas também.Mas, tudo certo.Quando eu voltar eu tiro o atraso.
    Mas nada disso teria acontecido se não fossem as meninas da Muralha (República), a Silvia e minha companheira de viagem (que chegou depois de mim) Alice.Pois se não fossem as meninas eu não teria me sentido a vontade para falar o tanto que falei, rir o tanto que ri e até beber o tanto que bebi também (rs).Se não fossem elas não teríamos conhecido tanta gente, nem ido a tantos lugares.Talvez não teria sorrido tantas vezes, nem engordado tanto, não teria me marcado tanto, não teria sido tão feliz.Perdoem o excesso de sensibilidade, mas é que eu realmente fui feliz, sem tirar nem por. Por que aquilo que não conseguimos fazer dessa vez, fica para próxima.E foi bom voltar assim com gostinho de quero mais misturado com saudades.Bom mesmo é viver as coisas no seu máximo, ir embora na melhor parte para evitar se decepcionar, ou enjoar ou simplesmente esfriar esse sentimento.Mesmo não sendo esse o caso, isso me conforta.Saber que todas as memórias que guardei foram boas.E amante da estrada como bem sou, quero mais é escrever outras histórias sobre outras viagens ainda.Mas essa terá segunda parte, terá outras histórias sobre o mesmo lugar e se deus quiser com as mesmas pessoas, e outras mais que o futuro nos reserva.Essa, vai ser o ponto de partida para todas as outras que virão.

Ps.: é numa dessa que fico ainda mais esperançosa e apaixonada pelo meu país, se é que isso é possível.