domingo, 29 de julho de 2012

A culpa não é sua.



Tapou sua boca delicadamente como que pede um favor e falou para ficar bem quietinha que não precisava ter medo.Havia tanta confiança entre eles que mesmo assustada obedecia.Ela não sabia ao certo o que aconteceria, mas obedeceu.Mostrou como seria a brincadeira e distraída entrou num jogo tão sujo que se sentiria assim toda vez que lembrasse.Não, não era sua culpa.Sua inocência não permitia compreender mais do que a maldade e doença daquele que a conduzia queria que entendesse.Não, não foi sua culpa também, mãe.Ninguém é educado para não confiar me ninguém, você não errou, só não podia imaginar.E guardar uma dor desse tamanho não é para qualquer um não, ela mesmo tão menina aguentou firme.No início não doía tanto, ela não compreendia, o que sentia era mais uma confusão e medo por não saber o que de fato estava acontecendo.Tempos depois foi percebendo que não era normal, que não era para ser assim.E quando entendeu preferiu morrer, quis matar de alguma forma aquilo que a atordoava, que  marcava seu corpo sua mente.Pedia para esquecer, machucava seu próprio corpo tentando tirar da carne o nojo que sentia de si mesma, do outro.Ela não tinha maturidade para suportar aquilo, ela não podia.Mas não tinha outro jeito.Ela não conhecia nada além do silêncio.Ninguém entendia seus motivos para se tornar refém do silêncio, a julgavam por puro desconhecimento.E ela?"Perdoa-lhes Pai, eles não sabem o que dizem".Não era culpa deles se não conseguiam compreender e na tentativa de quebrar os muros que ela construíra para se proteger acabavam pro se afastar.Eles a amavam, disso ela sabia.O resto?Descobriria depois que aquela brincadeira tinha mais jogadores e peças do que podia imaginar.E depois de tanto tempo tentando sarar a ferida,tentando calar o grito de socorro, chorou.Rasgou tudo de novo.Sangrou.Sofreu.Tentou durante tanto tempo tirar a culpa de tudo e todos e naquele dia descobriu a quem culpar.Naquele dia entendeu tudo, pelo menos assim acreditava.Mas nada mais importava era tudo tão complexo e devastador, que optou por calar-se para sempre, segredos são precisos por pior que sejam.Prometera nunca, nunca mesmo, contar isso a ninguém por hipótese alguma.Havia tanto sofrimento, que devia engolir a seco sua dor para diminuir a dor de quem ama.Agora era forte por si mesma, e pelos outros iria lutar pela dor de todos, era  a única forma de esquecer e honrar a sua própria.Repetiu até entender que não era sua culpa e jogaria na cara de quem fosse que nesses jogos com vidas inocentes a culpa nunca é do menor, do mais fraco.Mas agora era seu dever estar do lado de quem quisesse virar o jogo.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vó e vô.


Vó.Todo tipo de vó.As independentes, as moderninhas, as tipo "Dona Benta", as tipo "Rita Lee".Tem vó que costura, tem vó que cozinha, tem vó que faz os dois.Tem vó que viaja, tem vó na internet, tem vó que gosta que façam para ela.Tem vó que nunca teve filho, mas ainda assim é como uma avó.Tem vó que não tem papas na língua, tem vó que é um poço de doçura.Tem vó que bebe cerveja e gosta de futebol e fala até palavrão.Tem vó que é do tipo lady, que antes de ri pensa em não mostrar muitos os dentes.Por que?Por que foi educada assim.
Vô.Todo tipo de vô, também.Tem vô radical que gosta de moto, tem vô da pescaria.Tem vô que vai por no colo para ter um longa conversa sobre mulher e sobre como conheceu e respeitou sua vó, sempre.Tem vô que vai falar "meu neto?É garanhão!".Tem vô que vai brincar junto, tem vô que vai ler história.Tem vô que gosta contar histórias.Tem vô que gosta de cantar, tem vô que gosta de assobiar.Tem vô que quer ser garotão, tem vô que acha tudo muito moderno.
Não importa qual tipo seja o seu, não importa nem se foi bom ou ruim.Não importa por que de alguma maneira sobreviveram até aqui, passaram por tanta coisa, muitas vezes forma educados de maneira tão severa que acabaram repetindo os mesmos erros com seu filhos e ficaram ranzinas para seus netos.Mas não julgue, respeite.Ninguém precisa morrer de amores por ninguém, mas respeito é no mínimo essencial.Mas se gosta de seus avós, mesmo.Não da boca para fora, não como quem deseja feliz dia da vó, pelo facebook sendo que sua avózinha nem face tem.Estou falando de algo real, estou falando de ter orgulho, admiração e amor.Sabe o que é triste no envelhecer?Envelhecer sozinho.Estar envolto por sua família e ainda assim estar num canto qualquer sozinha, por que só se lembram quando é para pedir algo, ou quando é para pedir satisfação por algum erro do passado.Assim é mole, não é?Talvez esteja na hora dos filhos e netos repensarem sobre as gerações passadas, está mais do que na hora de rever seus conceitos, suas atitudes.Quem ama cuida, quem ama respeita e considera.Não importa qual tipo de vó/vô seja o seu, se você realmente se importa demonstre isso.Não estou falando de bajulação, estou falando de uma ligação inesperada, só para perguntar como está, só para mostrar que lembrou quem sabe assim ela converse sobre alguma cosia que está guardada há tempos mas achava que ninguém se importava.Talvez não saiba mas há muitos vô e vós querendo apenas conversar com alguém, se sentindo sozinhos por que sua família simplesmente não liga, está preocupada de mais cuidando de suas vidas.Não é possível que nem ao menos pare para conversar nem que seja naqueles encontros de família, se nem assim você tem algum tipo de contato sincero com eles, então algo está muito errado.Eu diria que no mínimo você deve estar sendo egoísta.Mas sabe volto a repetir não é de bajulação que estou falando é de gesto simples que mostre que você ainda se importa.Então pelo menos no dia da vó, você ligue e diga de coração "Parabéns, feliz dia da vó".Talvez você ore, talvez chore, talvez se arrependa.Mas nunca é tarde para mudar, nunca é tarde para mostrar a quem você ama que devem se sentir como tal. Por que amor não é algo que mereça estar subentendido como nas relação familiares, mas sim explicitado por que quem ama mesmo quer que o outro de alguma forma saiba de sua importância.
Eu tenho ainda hoje, graças a  deus, duas avós.Uma que é do time das que gostam de futebol falam palavrão, mas na medida do possível costura e sente bastante falta dos filhos, netos, bisnetos.E outra que há mais de um ano mora no hospital, não há problema nenhum nisso.O problema é quando não se pode mais passear junto, nem ver a qualquer momento quando ainda morava aqui.Mas isso é circunstância da vida, cada uma tem a sua, ganha a sua temos de aprender a lidar com isso.Sei que fiz o que pude por ela, pequei por ausência, como a grande maioria das pessoas.Pequei sim.Mas nunca estive longe quando precisou, nunca estive tão longe a ponto de quando estivesse perto não conseguisse sentir tua presença, tua energia tão forte por ser quem é.Espero que mais filhos, netos, bisnetos saibam valorizar seus velhinhos, cada vô e vó espalhado por esse mundão.Por que eles merecem.E nunca se esqueça que cuidar de quem cuidou do teu passado é cuidar das suas raízes para se manter firme no futuro.

sábado, 14 de julho de 2012

A thousand years?

"Anjo meu,
Por acaso descobri tua carta junto a uns papéis teus, não vasculhei nada, juro.Achei por acaso, mas como bem sabes, minha curiosidade não foi maior que o respeito pela sua individualidade.Não abri, não li.Fiquei com tanto medo do que podia estar escrito ali que mal consegui disfarçar quando você chegou no quarto.Fiz de tudo para que não desconfiasse que eu sabia da carta, afinal não sabia se iria me entregar, ou se seria uma daquelas cartas que simplesmente escrevamos mas não enviamos.Seja lá o que estaja escrito , cheguei em casa sem saber o que pensar, com as mãos geladas e ao mesmo tempo suadas.Sabe aquele medo de amar?O encontrei de novo quando pensei no que podia estar escrito ali.Me conheces como ninguém, sabe da minha enorme dificuldade em sentir, e sabe que ainda assim eu te amei.Eu venci todas as barreiras em mim e consegui sentir algo que pensava ser restrito aos romances de novelas e livros.Bom...Assim eu pensava até então.Estamos juntos há algum tempo e te amo- disso tenho certeza, mas sabe as barreiras?Então...Não sei.Será que conseguiria viver uma vida inteira ao seu lado?Ás vezes te vejo cheio de certezas que me contagiam, mas não tão reais para mim.Talvez eu seja realmente fria, ou só mundana de mais em não acreditar que simplesmente por amar alguém consigamos ver a vida apenas ao redor dela para sempre.Só não duvide do meu amor.Posso ter um jeito meio torto, meio estranho de amar, mas é meu jeito, é isso que sou.Não sei se te amarei daqui a 10 anos como amo agora.Não sei se quero passar o resto da vida presa aos teus defeitos que me incomodam tanto tentando focar apenas nas tuas qualidades.É tudo tão bonito sabe?É tudo tão fantasioso.O que ninguém conta é que é impossível amar alguém por completo, exatamente como ele é.Ninguém é perfeito, nem aos olhos de quem o ama, isso é uma grande mentira para nos fazer acreditar em finais hollywoodianamente felizes.Seus defeitos só são defeitos por que me incomodam e fazem mal a nossa relação.Mas o amor não implica em escolhermos alguém que seja perfeito ao nossos olhos, mas sim alguém que queira ser o melhor de si para encontrar e merecer o melhor do outro.É isso que me conforta.Quando dizes que me ama posso ver em seus olhos uma verdade que nunca pensei que pudesse sentir em ninguém.Quando pedes desculpas e dizes que vai mudar por nós sinto tanto amor nas suas palavras e na forma que você tem de lidar com a situação que só me resta acreditar que todos os meus medos devem ser esquecidos.Me desculpe se mais uma vez te assustei com minha tempestade de dúvidas e sinceridade.Mas assim como eu te aceito e acolho quando mostra tuas fraquezas e tuas falhas espero que aguente a responsabilidade se estar com alguém como eu.Sei que com esse tempo de relacionamento já dá para saber se realmente quer ficar comigo, só tenho medo que você se acomode e pense que está tudo certo e que não há com que se preocupar e ai quando se deparar com minhas confusões e confissões você fraqueje, tema, fuja.Por que nós mudamos o tempo todo, mesmo você achando que não, mas a única coisa que não pode mudar é o amor.Mas assim como o medo do futuro e as incertezas sobre esse mundo pensado à dois carrego minha fé.Talvez amar seja um pouco de fé, de jogar no escuro.É ter a certeza de amar e querer somente uma pessoa no mundo inteiro mesmo sem mal conhecer as pessoas do próprio bairro, é isso que sinto por você.Se te amo é  por que suas qualidades são raras  e importantíssimas para mim e seus defeitos são necessários para se viver uma história feliz mas real.Te amo pois é mais importante para mim as inúmeras vezes que me fez sorrir, que me fez sonhar do que aquelas que me fez recuar.Sabe o que mais me encanta?É a sua forma de se entregar por inteiro a esse amor e à mim, talvez seja por isso que você me faz tão bem.Deve ser por isso que passo a acreditar em coisas sentimentais, surreais de mais para mim.E é no que é real para mim que eu confio.Por que essa história de felicidade de hollywood ou da disney é tão traiçoeira como um cobra!Te ilude e faz acreditar em coisas absurdas e por fim só trás decepção.E é por isso que te amo, e seja o que for quero dividir uma vida com você.Quero felicidade na carne, no sorriso e no brilho do olhar.Quero um suspiro verdadeiro e intenso quando te olhar trêmula em direção ao altar.Quero brigar para reconciliarmos depois, quero crescer junto a você, quero construir sonhos que só cabem para dois.Quero conversas desconcertantes mas necessárias para continuarmos fortes e principalmente: nos amando.Quero noites longas e quentes.Quero seu ombro, seu coração e sua fé.Quero você.Posso até ter medo do futuro, mas é na vontade de estar junto que eu acredito e deposito minha fé, meu amor.Por que para jogar no escuro é preciso focar em si, no que acredita e no que sentes para assim se preparar pro que der e vier.É... talvez amar seja um pouco de fé.Independente do que esteja na carta quero que saiba que mesmo com os pés no chão é com você que quero voar os sonhos mais altos.

De quem resolveu ter mais coragem que receios."


*Título em referência a música Thousand years- Christina Peri.
*Carta para o remetente de I won't give up.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sobre pessoas queridas.



Um brinde àqueles que nos trazem nostalgias e saudades.Cada vez mais perto do dia do amigo, e como não funciono em datas comemorativas normais escrevo, agradeço, paparico quem eu quiser quando eu bem entender.E com meu brinde espero abarcar aqueles que cuidam de mim e que despertam meu cuidado igualmente.Gosto de lembrar e enaltecer aqueles que me trazem nostalgia e saudades...Quem desperta algo de bom em mim, com certeza sabe disso, se não souber é por que talvez não imagine que eu realmente falo as coisas de coração não nesse jeito atual de vulgarizar palavras e sentimentos levando tudo na brincadeira no modo-de-dizer.E é pelas pessoas estarem brincando tanto com as palavras, usando-as de maneira leviana que sempre fiz questão de demonstrar o que penso e o que sinto, e meus amados não poderiam ficar de fora disso.Não só um brinde eles merecem, merecem recados inesperados para lembrá-los do quão especiais eles são.Merecem fotos do tempo do ronca para rir e pensar "cacete como estamos velhos".Sabe...Amigos não se encontram na esquina, nem numa mesa de bar, sabe?É que a amizade precisa de dedicação, de cuidados, de broncas e muitos risos, como qualquer outro amor.Não é que não seja possível se conhecer um amigo na mesa de bar, mas não são em momentos levianos que deve-se nomear alguém de amigo, isso ocorre com o passar do tempo.Deve ser por isso que Vinicius de Moraes disse:"Não se faz amigos, reconhece-os".A amizade deve ser constatada depois algum tipo de histórico, depois de despertar um sentimento mais profundo, sentir-se bem com alguém , não adianta querer chamar alguém de amigo só por que em alguns momentos a pessoa te faz rir, se meu caro qualquer um pode lhe fazer rir se quiser, principalmente se você quiser.Mas amizade, ser amigo de verdade é para poucos...Ou pelo menos para aqueles que ousarem ser verdadeiros do seu jeito e se tornarem especais por isso.Aos meu amigos, ao meus queridos, meus bebês, meus idiotas, meus palhaços, minhas negas, minhas flores, meus amores....A esses eu desejo toda a felicidade do mundo e que me aturem pelo resto de nossas vidas assim como eu faço questão de fazer, como a vida quiser como puder.Por que se tem uma coisa que eu aprendi é que amizade mesmo faz questão de se mostrar assim como amizade idependente do tempo e da distância.E ouso dizer que se alguém não tem amigos, não tem mesmo, é por que não sabe como cuidar ou não sabe se doar.Afinal tem sempre um perdido por ai de coração bom e de cabeça não tão boa assim, disposto a enfrentar o que tiver que ser se você valer a pena.Aos amigos, loucos e queridos, mas nossos companheiros sempre.Tim tim.