quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Tropa de Elite2




Assisti ontem a esse filme.
É muito bom sim, confesso que para quem tem noção de que o sistema é muito maior do que podemos imaginar e enxergar no dia-a-dia para esses o filme vai ser apenas o que se imagina ali retratado num filme.Mas para quem acha apenas que é todo mundo safado mesmo, mas nem sabem direito como essa 'safadeza' ocorre, para esses sim o filme pode impressionar e impactar, por que grande parte daquilo ali é verdade, inclusive os personagens ( o que eu acho mais interessante ainda).Com atuação impecável do Wagner Moura, e todo o resto do elenco, eu e mais um monte de brasileiros indicamos o segundo filme.
Contudo, não vim aqui para fazer propagando vim para mostrar a parte do depoimento do Capitão Nascimento no final do filme que eu acho sensacional e sintetiza tudo que o filme relata, e tudo que eu também me pergunto.
Ai segue:

_Quando meu filho tinha dez anos ele me perguntou porque que meu trabalho era matar.(...)E eu não sei responder a pergunta dele, tenho 21 anos de polícia e não sei responder porque eu matei, por quem eu matei.Mas uma coisa que eu posso afirmar com certeza senhores deputados, é que o policial não puxa esse gatilho sozinho (...) .

Desculpem-me se fui inconveniente em colocar esse diálogo aqui caso vocês ainda não tenham assistido, mas eu não pude me calar.Para mim uma das maiores indignações é essa que ele depôs.Enfim...Fica aqui para vocês pensarem, e compartilharem o que pensam.



Ps.: Na marcação "Compartilhando" geralmente tem coisas minhas, um pouco mais reais, ou músicas que gosto e fazem sentido no momento, ou nesse caso o filme que assisti,.O nome é só para dar ideia de estar compartilhando algo real meu com vocês.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ausência


Aos céus,
Aí chegou mais um amigo, mais um anjo no dia 26/09/2010.Espero que façam seu melhor para acolhê-lo e ajudá-lo nessa fase tão desconhecida por nós vida terrena.E peço que de alguma forma essas palavras cheguem até ele:
"Me desculpe por me calar durante um tempo.Por deixar a vida nos afastar e até te tirar de mim, e de tanta gente assim tão de repente.Me desculpe mas eu ainda não acredito, não consigo.Todas as noites eu rezo por você, e peço por você.E sentada assistindo ao vídeo dos meus 15anos, não dá para acreditar!Tem coisas que fazemos e só valorizamos depois, e isso eu garanto pela festa e pelo vídeo, ter a lembrança em foto é muito bom mas na filmagem te ver ali com vida, sorrindo brincando..Isso é impagável!E quantas pessoas te admiravam e te gostavam assim como eu.Ficamos todos aqui faltando um pedaço, uma parte, um alguém.E não era amizade de meses não..Eram anos, 10 anos...Como pode?Como pôde?Sabe amigo, passamos por tantas coisas juntos, você esteve comigo em cada momento que só tenho a agradecer.E veja como é a vida mesmo não estando mais tão grudados, e unidos como já estivemos um dia, ainda sim sempre quis o teu melhor, no que eu pudesse te proteger e te cuidar eu fiz e faria tudo de novo se preciso fosse.Uma coisa que alivia meu coração é ver quanta pessoa boa e querida esteve ao seu lado quando eu não pude estar.A distância em vida, nos abalou um pouco mas você sabe que sempre te considerei como aquele amigo, exatamente aquele que compartilhou tanto comigo.E agora essa distância que vai muito além da física, além dos sentimentos e é estranho como agora penso que minha ligação com você pode ser direta.Apenas um pensamento mais elevado, uma oração mais profunda, e me sinto próxima de ti de novo.Uma coisa é certa, tem muita gente aqui cuidando de você aonde estiver.Sei que posso ser um pouco dramática quanto a nossa história, mas fato é que sua amizade nunca será apagada, esquecida, desconsiderada, jamais.Mas vou tentar me manter calma e equilibrada, para não acabar, sem querer, te perturbando com minhas aflições e angustia sobre tudo isso.Fica firme ai, com toda essa força e alegria que tinha de sobra, que aqui tem muita gente por você."-
E seja como for, sei que vocês estão cuidando dele, como nós aqui na terra já não podemos mais.E com todo meu coração peço luz para ele.Sei que tudo tem um motivo e o momento certo, e é nisso que eu confio até o fim.A justiça de vocês podem não ser bem vista e aceita aqui, mas não entendam como insulto é que nossos olhos ainda não enxergam como deveriam e o coração dói de mais.E mesmo tendo recaída em não acreditar e não entender, vou manter minha fé de pé até o fim.Por mim, por ele e por todos que sentiram com tudo isso, deixo aqui minha sinceras palavras.

Com respeito e fé, Bárbara.

domingo, 17 de outubro de 2010

Do coração.

Peço que não deixe nossas mão soltarem.E te asseguro que mesmo a minha sendo pequena e às vezes fraca, eu sempre vou fazer de tudo para que nunca seja preciso soltar.E eu sei que o medo, o nervosismo pode nos enfraquecer e fazê-las naturalmente se soltarem, mas pense no maior motivo para elas continuarem juntas, com nossos dedos entrelaçados representando nossas vidas, representando tudo sobre nós, sobre eu, você, nosso sentimento , a coragem e a vontade de estarmos juntos.

sábado, 9 de outubro de 2010

Cativeiro.



Jogada no chão, não sabia mais o que era vida ou morte.

Não sabia mais se ouvia passos ou se era apenas minha imaginação no auge da minha desconhecida falta de lucidez.Tudo que aconteceu naquele quarto, parecia que acontecia de novo e de novo.As palavras, os rostos, toda uma violência que eu não podia imaginar o quanto podia destruir uma pessoa.Como pode um ser criado para amar e viver, pode odiar tanto e ainda tirar a vida de alguém e se arrepender da própria?

Houve um disparo.Sim, agora me lembro eu estava sozinha amarrada ali naquela cadeira.Primeiro ouvi passos depois correria e um tiro seco no ar.

Um grito.Um pedido.Um comando.

Depois arrombaram a porta da casa e entraram no quarto falando como se me conhecessem. Falando coisas a meu respeito que não faziam sentido, e havia um olhar tão seco e gélido que eu tinha medo de encarar aqueles olhos tomados por uma fonte infindável de ruindade.

Estaria eu pagando por tudo que outras pessoas são?Por toda injustiça, preconceito, egocentrismo?Foi então que no meio do meu sofrimento que eu comecei a perceber o sofrimento do outro, justamente daqueles que me faziam sofrer.De repente, houve um silêncio, seguido por um resmungo completo por desabafos e pouco a pouco iam contando sua vidas e tudo que sofreram até ali, tudo por viverem no grande centro da cidade mas de forma subumana, exatamente aquele lado em que todo o centro vira de costas para não ver, sabe?Tendo uma subvida num mundo paralelo, aquele que é chutado e encaixotado afinal o melhor é longe das nossas vistas e da vista do resto do mundo, certo?Mas por que eu?Eu nunca participei disso, nunca fui a favor, nunca... nada!

Quando eu percebi que a fé não existia mais, eu levantei a cabeça e os encarei, fraca, frágil mas com uma determinação, com sede de justiça..Alguém tinha que pagar por isso..Por tudo!Por mim, por eles!!Foi então que eu chorei, que eu gritei, e rezei como se estivesse sozinha de novo.Pedi por mim e por eles, e ao abrir os olhos tinha uma atenção diferente para mim , me encaravam como um ser estranho não entendendo minha reação.Pois então me pus a desabafar tudo que queria, exatamente como queria, falei sobre minha revolta sobre o que eles passaram e sobre o que eu estava passando.Parecia que minhas palavras soavam como faca, que os cortavam e deixavam em carne viva os deixando tão expostos quanto eu.E quando me dei conta eles estavam de olhos fechados rezando.Foi quando me soltaram e me deixara ali, não entendi se era um pedido de desculpa, um arrependimento ou só tentando diminuir a situação.Saíram do quarto, me encontrei entre quatro paredes que tinham cheiro de amargura, angustia... dor.

Chorei, chorei e chorei. Até ficar vermelha com falta de ar me fazendo desacelerar as lágrimas, conseguindo assim ouvir os choros e palavras de arrependimento misturados com ainda ódio pela sociedade que os deram todas as condições de serem aquilo, e não eles não se orgulhavam disso, e depois do último grito de revolta contra si mesmos ouvi dois tiros, acho que eram os últimos.

Saí e vi os corpos no chão, pude sentir fisicamente minha vida indo junto com a deles.Não se trata mais de culpa, nem de razões , mas sim de vida, de olhar para o outro, se interessar pelo outro.Foi então que decidi me entregar junto.

Acabou para mim, não adianta um corpo sem vida, eu agora realmente entendo quando dizem que é melhor morrer do que perder a vida. A minha se foi, e espero que ao lerem isso sintam o estrago que fazem na vida das pessoas, chega de fazerem vítimas.Será que vai ser assim que vão aprender a fazer o certo,a realmente cuidar das pessoas, a dar condições de serem pessoas melhores e realmente considerá-las como tal?Eu paguei com a vida pelo erro de outros, espero que não seja mais preciso isso acontecer para que haja mudança.Aqui foram duas vítimas do sistema, mas segue outra vítima do caos que esse sistema trás.